Azeredo Lopes elogia velocidade da autonomia estratégica da UE

Azeredo Lopes diz que defesa europeia é hoje um dos aspectos que mais cimenta a União Europeia.

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LUSA/JOOST DE RAEYMAEKER

O ministro da Defesa Nacional mostrou-se nesta quinta-feira bem impressionado com a autonomia estratégica da União Europeia (UE) nos sectores de segurança e defesa, sublinhando a necessidade de salvaguardar a complementaridade com organizações como as Nações Unidas ou NATO.

"A defesa europeia é hoje um dos aspectos que mais cimenta a União Europeia. Fomos capazes de perceber, há pouco mais de dois anos, que estávamos perante desafios importantes, com a alteração de relações de poder a um plano internacional, e precisávamos de desenvolver uma autonomia estratégica da União Europeia. Esse caminho, talvez fosse previsível, mas nunca à velocidade a que está a decorrer", disse à Lusa.

Azeredo Lopes falava no final de dois dias de reunião informal, em Viena, de responsáveis pela tutela dos estados-membros da UE, no âmbito da presidência austríaca da união, com a presença da Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, a italiana Federica Mogherini.

"O cuidado que Portugal tem tido é o de insistir que não pode haver duplicação. Tem de haver complementaridade em relação a outras organizações internacionais como por exemplo a NATO", afirmou o ministro português.

Segundo Azeredo Lopes, "há hoje um estímulo mais consolidado para, no plano da UE, sem nunca esquecer a importância fundamental que tem a NATO, reforçar essa componente de autonomia estratégica e fazê-lo também através da intervenção no mercado, do reforço da capacidade industrial e da inovação científica e tecnológica porque, no fundo, trata-se de uma despesa que é alocável a várias questões fundamentais das sociedades europeias".

O membro do Governo socialista descreveu que a Áustria escolheu o tema dos Balcãs Ocidentais (Kosovo e Bósnia-Herzegovina, por exemplo), no plano da segurança e da defesa, registando-se "consenso mais ou menos generalizado" sobre a importância estratégica daquela região para os 27, a qual "deve continuar a ser enfrentada nos mesmos termos em que tem sido, ou seja, através da "cooperação com aqueles países e reforçando as suas capacidades de segurança e defesa".

Sobre a acção e operações da UE no Mar Mediterrâneo, tendo em conta posições recentes da Itália sobre o fluxo de migrações, Azeredo Lopes também verificou "consenso generalizado sobre importância de não desistir e de prosseguir os objectivos fundamentais", frisando que "Portugal e o Governo estão de cara lavada" nestas questões, como "país de acolhimento e respeitador dos direitos humanos".