Benfica, é preciso fazer golos antes de fazer contas aos milhões

Benfica está obrigado a marcar no terreno do PAOK para garantir o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. “Encarnados” fazem sétima partida em 22 dias mas Rui Vitória relativizou o cansaço

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As bancadas vão estar repletas de adeptos fervorosos, mas Rui Vitória está optimista EPA/SOTIRIS BARBAROUSIS

Pode soar excessivo que, estando ainda em Agosto, com menos de um mês de época decorrido, se fale num jogo como uma autêntica final. Mas o caso não é para menos se nos referirmos à visita do Benfica ao PAOK (20h, TVI), que decidirá o play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. A equipa de Rui Vitória parte em desvantagem – empatou 1-1 na primeira mão, em casa – e está obrigada a marcar golos para seguir em frente. É uma final, nada menos do que isso: falhar significa ficar de fora da Champions, com tudo o que isso implica a nível desportivo e, sobretudo, financeiro.

Em causa estão os chorudos prémios atribuídos pela UEFA, esta época ainda mais generosos do que o costume. O organismo que tutela o futebol europeu reforçou a verba a distribuir e para o Benfica a diferença entre estar ou não na Liga dos Campeões andará pelos 40 milhões de euros. “As questões financeiras não são a minha área. Os jogos para mim são sempre importantes. De gestão percebo alguma coisa, mas o meu foco é a vitória”, relativizou ontem Rui Vitória, na antevisão da partida. Mas não há como contornar o impacto de 40 milhões, um montante suficiente para cobrir os gastos com pessoal do Benfica durante uma temporada.

Há vários desfechos possíveis para o Benfica nesta eliminatória. Ou não marca e terá de contentar-se com a Liga Europa (derrota ou empate sem golos em Salónica deixam os “encarnados” sem Liga dos Campeões); ou empata 1-1 e força o prolongamento (e eventuais penáltis); ou empata com mais golos e garante um lugar na Champions; ou vence e confirma a passagem à fase de grupos da principal competição europeia de clubes. “Espero um jogo bem disputado, que as duas equipas vão querer ganhar. Os detalhes vão fazer a diferença. Naturalmente que a qualidade individual poderá decidir o jogo”, previu Rui Vitória, apostado em garantir a nona presença consecutiva do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Há uma diferença que o técnico quer ver na sua equipa relativamente ao jogo da primeira mão: na Luz os “encarnados” foram castigados pela falta de eficácia (fizeram nove remates enquadrados com a baliza adversária), mas Rui Vitória está optimista para o encontro em Salónica. “Merecíamos ter ganho na primeira mão, mas vamos ganhar aqui. Temos capacidade de marcar golos aqui. A eficácia vai ser determinante”, vincou, retirando importância ao eventual cansaço dos seus jogadores, vindos de um derby e que esta noite disputam a sétima partida em 22 dias. “Os jogadores têm tido recuperação fantástica entre os jogos. Gostaríamos de ter mais tempo para preparar os jogos, mas isso não quer dizer que amanhã [hoje] os jogadores não estejam preparados. A parte mental, muitas vezes, ajuda a que a disponibilidade física apareça”, notou.

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O PAOK, que nunca esteve na fase de grupos da Liga dos Campeões, sonha com a estreia na competição “milionária”. Num percurso em que já afastou o Basileia e o Spartak Moscovo, o emblema grego tem no Benfica o último obstáculo a separá-lo de um feito histórico. “Estamos confiantes de que estaremos na fase de grupos, de jogo para jogo vamos aumentando a nossa confiança, sabemos como reagir em momentos de pressão, temos uma mentalidade forte. É um jogo muito difícil, mas a pressão está do lado do Benfica”, afirmou o treinador do PAOK, Razvan Lucescu.

A pressão sobre o Benfica não é apenas para superar a eliminatória: será também exercida pelos adeptos gregos, conhecidos por tornarem o seu estádio um autêntico “inferno” para as equipas visitantes. “Estamos habituados a estádios cheios. Isto é um jogo de Liga dos Campeões e é um ambiente de que nós gostamos”, concluiu Rui Vitória. Léo Matos, futebolista brasileiro do PAOK, prometeu que não será bem assim: “Aqui eles vão sentir-se muito desconfortáveis, é difícil jogar aqui quando o estádio está cheio. Vamos tentar tirar proveito disso”. Com os milhões de euros que estão em causa, qualquer ajuda será preciosa.