Acid Mothers Temple, James Holden e as outras viagens que o gnration nos vai oferecer

A instituição bracarense anunciou a sua programação para o último trimestre do ano. Além do rock psicadélico dos japoneses e das aventuras sónicas do inglês, haverá Jessica Moss, Midori Takada e obras de Stockhausen.

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Os Acid Mothers Temple de Kawabata Makoto destacam-se no programa do gnration, em Braga

Muito antes da vaga psych que varre um vasto espectro da criação musical contemporânea, já eles andavam pelo mundo a mostrar as propriedades terapêuticas do dito psicadelismo. Há muito que gravam e que percorrem o mundo mostrando como cruzar Stockhausen com Deep  Purple ou como homenagear os Black Sabbath relendo canções históricas da histórica banda à luz da sua cosmologia muito própria. Eles são os Acid Mothers Temple de Kawabata Makoto, nome lendário do rock psicadélico japonês, e estarão de regresso a Portugal em Outubro. São um dos destaques da programação para o último trimestre do 2018 do gnration, em Braga — tocam dia 4 de Outubro, com primeira parte assegurada pelos bracarenses The Nancy Spungen X, um dia depois de passarem pelo Musicbox, em Lisboa.

Abre-se com o colectivo japonês um final de ano na instituição por onde passará também, curiosamente, a música de Stockausen, influência determinante, diz Kawabata Makoto, para aquilo que são os Acid Mothers Temple. Dia 12 de Outubro, o alemão Michael Pattmann, compositor, percussionista e profundo conhecedor da obra de Stockhausen, a pianista Patrícia Martins e o compositor Ricardo Guerreiro reúnem-se para interpretar duas peças do visionário compositor alemão, falecido em 2007, Telemusik e Kontakte.

Em Novembro, o gnration recebe o compositor, DJ e produtor britânico James Holden, cuja obra, iniciada na alvorada do século XXI, tem demonstrado um desejo constante de contornar expectativas e ideias feitas sobre a sua acção enquanto criador de música electrónica. Isso mesmo é revelado no trabalho que o traz a Braga. Animal Spirits, o álbum que editou no final de 2017 e em que foi acompanhado por músicos que trabalham o jazz como improvisação livre — e com raïtas magrebinas para efeito hipnótico —, será o mote para o concerto.

Antes de Jessica Moss, violinista e vocalista dos A Silver Mt. Zion, apresentar em concerto marcado para 4 de Dezembro um novo álbum a solo, Entanglement, o gnration sairá da sua sede para contaminar outros locais da cidade. A protagonista do ciclo fora de portas será a japonesa Midori Takada, criadora de música imersiva em que as raízes musicais do seu país se harmonizam com fragmentos jazz — o concerto, marcado para 13 de Novembro, terá lugar na imponente Capela Imaculada do Seminário Menor.

Dia 15 de Dezembro estará reservado o terceiro Ocupa, evento que reúne palestras, performances e actuações através das quais se pretende debater, estimular e mostrar a arte digital e a música electrónica criada em Braga. A partir das 22h, será apresentada uma nova obra, criada por quatro criadores locais —  David Machado, Distorted Vision, Dora Vieira e Tundra Fault —, a que sucederá a actuação do britânico Roly Porter, ex-membro do duo Vex’d, onde o dubstep encontrava a música industrial, e que teve como mais recente lançamento a solo o álbum Third Law, editado em 2016.

A partir de 15 de Outubro e até 12 de Janeiro Joanie Lemercier terá patente Microscapes no âmbito do Scale Travels, programa de residências artísticas que resulta de uma parceria entre o gnration e o INL — Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia.