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Berlim: estação de comboios difunde música atonal para afastar “presenças indesejadas”

Uma estação de comboios em Berlim vai difundir música atonal para afastar quem lá esteja por outras razões que não apanhar um comboio. Associação de passageiros critica a medida.

Ideia para afastar presenças indesejadas de forma discreta: tocar uma música tão stressante e confusa que “a maior parte das pessoas que a ouve deseja fugir dela”. O plano é do operador ferroviário alemão Deutsche Bahn e o género musical já está escolhido — musicas atonais, ou seja, sem tonalidade definida. 

Os testes vão começar em Setembro na estação de comboios urbanos de Hermannstrasse, em Berlim. A ideia inicial é experimentar diferentes volumes de som de modo a “desencorajar as pessoas a permanecerem muito tempo na estação” mas “sem incomodar os passageiros”, explicou o gerente regional da empresa de transportes ao Berliner Morgenpost, um jornal alemão local, citado pelo Times.

O objectivo é arranjar mais uma forma de “prevenir comportamentos criminosos dentro da estação” e “afastar pessoas sem-abrigo” que lá pernoitem ou consumam drogas. “Temos de experimentar em vez de ceder”, acrescentou, referindo que tentativas anteriores de afastar “pessoas toxicodependentes e traficantes” com música falharam “porque esta era apreciada”.

A música que vai ser difundida não é composta numa tonalidade, sendo entendida como confusa e provocando “agitação e ansiedade”. Por isso, de modo a não incomodar os passageiros, não será emitida nas plataformas de embarque e desembarque, apenas nas entradas/saídas e corredores.

Uma associação de passageiros de Berlim já criticou o plano, com a justificação de que iria “apenas adicionar poluição sonora” à cidade. Um dos porta-vozes da associação terá dito ao mesmo jornal alemão que seria antes mais eficaz “limpar as estações com mais frequência”.

Já outras estações de transportes públicos usaram música para tentar, propositadamente, influenciar o comportamento dos passageiros: a música clássica, por exemplo, é emitida para diminuir comportamentos anti-sociais por ajudar a relaxar. Outros espaços públicos também já cravaram pregos em muros ou bancos para prevenir que alguém lá se sente ou deite. No entanto, há outros exemplos que passam mais despercebidos: é o caso dos proprietários de uma loja no Porto que plantaram à entrada do estabelecimento comercial um “jardim” de vasos para afastar as pessoas sem-abrigo que, antes da loja abrir, pernoitavam à entrada do prédio.