Greve dos enfermeiros adia mil cirurgias no São José, Santa Maria e São João

Sindicatos falam numa adesão a rondar os 90%. A Norte, a Administração Regional de Saúde aponta por uma adesão que oscila entre os 9,5% e os 62%.

Em Setembro do ano passado, os enfermeiros fizeram greve a contestar as condições de trabalho
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Em Setembro do ano passado, os enfermeiros fizeram greve a contestar as condições de trabalho Mario Lopes Pereira

A greve dos enfermeiros, que cumpre esta terça-feira o segundo dia, vai obrigar ao adiamento de mil cirurgias nos hospitais de Santa Maria e São José, em Lisboa, e no São João, no Porto, disse à Lusa um dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermeiros (FENSE), que convocou a paralisação. Os dados apresentados pelos sindicatos são contestados pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, que aponta uma percentagem de adesão à greve a oscilar "entre os 9,5% e os 62%".

"Nestes cinco dias [de greve] 1000 cirurgias vão ser adiadas" nestes três hospitais, porque "os blocos cirúrgicos normais estão parados", adiantou José Correia Azevedo, referindo que a adesão à greve no turno da noite manteve-se nos níveis de segunda-feira, oscilando entre os 83 e os 96%.

O sindicalista referiu que não são esperadas grandes oscilações nos próximos três dias, porque "as equipas, quando recebem o pré-aviso, começam a fazer o plano de trabalho, que neste momento já está feito para os cinco dias".

Sobre o impacto que a paralisação está a ter nas consultas e nas cirurgias de urgência, o sindicalista disse que estão assegurados os serviços mínimos para "evitar situações de não retorno". Também "nos cuidados primários mantemos o apoio àqueles doentes que estão dependentes e não têm recursos perto, não vamos deixar que se desloquem aos hospitais", afirmou. Explicou ainda que tudo o que diz respeito "a pensos, injectáveis, administração terapêutica" que são "absolutamente essenciais", o serviço está garantido.

Relativamente às consultas hospitalares, José Correia Azevedo disse que as que são asseguradas por médicos estão a funcionar normalmente, as que têm o apoio da enfermagem "estão paradas".

Norte contesta números

A ARS Norte enviou esta terça-feira um comunicado, contestando a percentagem de adesão divulgada pelos enfermeiros. Segundo esta entidade, "a percentagem de adesão verificada é variável, oscilando entre os 9,5% e os 62% - com maior predominância para o intervalo entre os 30 e 40% - ao contrário do que tem vindo a ser noticiado, informando uma participação, em alguns hospitais, superior a 90%".

Pela análise da informação de segunda-feira e da até ao momento recolhida, nomeadamente através das diferentes unidades hospitalares da região Norte, com excepção do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Unidade Local de Saúde do Alto Minho e Hospital de Barcelos, "todo o programa cirúrgico, ainda que com limitações e adiamento de algumas cirurgias, funcionou", refere.

"No que respeita a consultas de ambulatório - de especialidade hospitalar - as agendas foram sendo cumpridas, com números de adiamentos, na maior parte dos casos, residuais e, em algumas unidades, até com realização a 100%", sustenta a ARS.

Também nos centros de saúde na região "não foi reportado ao conselho directivo qualquer situação de rotura que, em função da mesma, tivesse que se proceder ao encerramento de qualquer unidade".

A greve dos enfermeiros marcada pela FENSE, que integra o Sindicato Independente Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE), visa exigir a conclusão da negociação do acordo colectivo de trabalho entregue pelos sindicatos em 16 de Agosto de 2017. Os enfermeiros pretendem igualmente que seja criada uma carreira especial de enfermagem que integre a categoria de enfermeiro especialista.

Reclamam ainda o descongelamento da carreira, lembrando que o Estado deve aos Enfermeiros 13 anos, 7 meses e 25 dias nas progressões, e a revisão das tabelas remuneratórias.

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