Uma centena de carros incendiados e vandalizados por jovens na Suécia

Distúrbios antecedem as eleições gerais no país, a realizar-se a 9 de Setembro, com questões relacionadas com o crime e o aumento da violência no centro do debate eleitoral.

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Dezenas de carros foram incendiados por grupos de jovens em Gotemburgo, na Suécia LUSA/ADAM IHSE
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O primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, de visita ao local dos ataques em Gotemburgo Reuters/TT NEWS AGENCY

Grupos de jovens incendiaram e vandalizaram quase 100 automóveis em várias cidades da Suécia na noite de segunda-feira, de acordo com as autoridades locais. O primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, classificou os actos "quase como uma operação militar". 

A cidade mais afectada foi Gotemburgo, a segunda maior cidade localizada na costa Oeste da Suécia, onde mais de 80 veículos terão sido danificados. Foram ainda registados incidentes nas cidades vizinhas de Falkenberg e Trollhättan – uma zona industrial com elevada taxa de desemprego e população imigrante –, assim como nas cidades de Malmo, Helsimburgo e na capital Estocolmo, segundo informações reveladas pela polícia local.

Uma investigação foi lançada para averiguar a possível ligação entre os vários episódios em todo o país. "Como a maioria dos incêndios começou dentro de um curto período de tempo, não se pode excluir que haja uma relação", disse o porta-voz da polícia sueca, Hans Lippens, citado pela Associated Press.

Os distúrbios terão sido causados por grupos de jovens mascarados, que o primeiro-ministro sueco Stefan Lofven classificou, nesta terça-feira, como uma acção organizada "quase como uma operação militar", disse em entrevista a uma rádio sueca. "A sociedade vai sempre reagir fortemente a este tipo de coisa", acrescentou o primeiro-ministro. Os atacantes terão ainda atirado pedras contra as forças policiais mas não há registo de feridos.

Um rapaz adolescente e um homem, de 16 e 21 anos, terão sido detidos e alguns identificados no local. "Acreditamos que até 100 carros foram queimados ou danificados", disse a porta-voz da polícia Ulla Brehm citada pela agência Reuters, acrescentando que os grupos de jovens estavam "organizados e preparados".

A violência, o desemprego e a imigração 

Nos últimos anos, várias cidades suecas têm sido alvo de episódios de violência esporádicos, em menor escala, durante o mês de Agosto, que coincide com o final das férias escolares de Verão e o início do ano lectivo na Suécia. "Sabemos por experiência que estes tipos de incêndios acontecem com mais frequência na semana anterior ao começo da escola do que nas outras semanas", disse um porta-voz da polícia à agência de notícias sueca TT. No entanto, não está ainda claro o que desencadeou os distúrbios desta segunda-feira.

A mais recente onda de ataques levou a imprensa sueca a relembrar os tumultos em Estocolmo, em 2013, quando vários carros e estabelecimentos foram também incendiados no seguimento da morte de um homem de 69 anos pela polícia, que levou a acusações de brutalidade policial e a um debate sobre a imigração e a pobreza.

Na Suécia, tem-se assistido a um aumento da violência, principalmente em áreas com elevada taxa de desemprego e outros problemas sociais. Mais ainda, a violência de gangues tornou-se uma questão central na campanha eleitoral sueca – com as eleições gerais marcadas para 9 de Setembro – visto que, em 2017, mais de 40 pessoas foram mortas a tiro devido a este tipo de violência, sublinha a Reuters.

O Partido Social-Democrata da Suécia, liderado por Stefan Lofven, poderá ter o seu pior resultado eleitoral de sempre, de acordo com sondagens divulgadas pela Reuters, que revelaram ainda preocupações da população relacionadas com a assistência social, os resultados escolares e os efeitos da onda de imigração que trouxe cerca de 160 mil pessoas para a Suécia em 2015. O que poderá beneficiar o Partido dos Democratas Suecos anti-imigração, cujo posto eleitoral na cidade de Linköping foi também incendiado.