Polícia moçambicana divulga nomes de alegados “cabecilhas” dos ataques no Norte

Autoridades pedem à população que colabore para a captura de seis homens que estarão por trás dos ataques na província de Cabo Delgado.

Povoações remotas da província de Cabo Delgado têm sido saqueadas com violência por desconhecidos desde Outubro de 2017
Foto
Povoações remotas da província de Cabo Delgado têm sido saqueadas com violência por desconhecidos desde Outubro de 2017 LUSA/ANTÓNIO SILVA

O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique indicou os nomes dos seis homens que terão liderado os ataques armados na província de Cabo Delgado, no Norte do país, pedindo à população colaboração para a captura dos alegados "cabecilhas".

Rafael Bernardino disse, em declarações reproduzidas nesta segunda-feira pela emissora pública Rádio Moçambique, que os grupos armados que protagonizam ataques em Cabo Delgado são dirigidos por Abdul Faizal, Abdul Remane, Abdul Raim, Nuno Remane, Ibn Omar e um sexto identificado apenas por Salimo.

"Consideramos esses como os cabecilhas", declarou Bernardino Rafael, falando numa parada policial na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, junto à fronteira com a Tanzânia, onde várias empresas internacionais estão a desenvolver a exploração das maiores jazidas de gás natural encontradas na última década.

O responsável exortou a população a colaborar na localização dos responsáveis pelos grupos armados, identificados colectivamente como Ahlu Sunnah Wa-Jama, ou "seguidores da tradição profética", e cujas acções resultaram em comparações com os Boko Haram da Nigéria.

"Apelamos à população para quem souber, quem tiver informações possíveis, que levem à captura desses nomes que nós indicamos, contacte a Polícia da República de Moçambique", declarou o comandante-geral da polícia moçambicana.

Povoações remotas da província de Cabo Delgado, situada entre 1500 a 2000 km a Norte de Maputo, têm sido saqueadas com violência desde Outubro de 2017, provocando um número indeterminado de mortos e deslocados.

Os grupos que têm atacado as aldeias nunca fizeram nenhuma reivindicação nem deram a conhecer as suas intenções, mas investigadores sugerem que a violência poderá estar ligada a redes de tráfico de heroína, marfim, rubis e madeira.

Os ataques acontecem numa altura em que avançam os investimentos de companhias petrolíferas em gás natural na região, mas sem que até agora tenham entrado no perímetro reservado aos empreendimentos.