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Uma história de transgressão e business

Une Histoire Populaire du Football condensa a história da modalidade desde as origens, percorrendo episódios em que se tornou um instrumento das lutas e de contestação: dos jovens dos bairros pobres e dos movimentos anticoloniais e feministas. Sendo hoje domínio do business. Começámos esta conversa com Mickael Correia, o franco-português autor do livro, evocando um corpo que sintetiza estas transformações: Cristiano Ronaldo.

“Cristiano Ronaldo é o exemplo do jogador que se sacrifica no trabalho, empresário perfeito do futebol business. Mas o seu ego exuberante e a imagem de uma masculinidade mais fluida quebram totalmente com a imagem do português que pede desculpa por existir. O golo por pontapé de bicicleta em Abril, aplaudido pelo adversário, o que é raríssimo, resume o seu tipo de jogo: é um gesto incrível que implica horas e horas de trabalho, mas tem algo de robótico”, diz Mickael Correia, autor do livro Une Histoire Populaire du Football, que acaba de ser editado em França.

Não é apenas uma curiosidade o facto de Ronaldo vir da Madeira, onde em 1875 pela primeira vez se jogou futebol em Portugal pelo pé de Harry Hinton, filho de uma família inglesa com poder hegemónico na ilha. Mais do que um azar geográfico, entre estes dois momentos fica resumida uma parte da história social do futebol: na visão de Mickael Correia, este tornou-se um instrumento inesperado de emancipação profissional das classes mais desfavorecidas. 

Nos anos 1990, Ronaldo, filho de jardineiro e cozinheira, jogava pé-descalço no bairro mais pobre do Funchal, a Quinta Falcão, e no clube da freguesia, O Andorinha. Na altura de dar o salto para o continente, o padrinho preveniu a família: caso o miúdo ficasse por causa do aperto das saudades, era escolher entre roupeiro, bate-chapas ou pedreiro. Mais de 100 anos antes, Harry Hinton trouxera uma bola de futebol do colégio privado onde estudava em Inglaterra para jogar com amigos na Quinta da Achada na Camacha. Na sequência das ocupações inglesas da ilha, os Hinton eram detentores da fábrica do Torreão, monopólio de exploração da cana-de-açúcar com a introdução da máquina a vapor. Não será de espantar que o Marítimo, clube nascido das aspirações da classe marítima da baixa de Santa Maria Maior, ainda durante a Monarquia em 1910, envergasse o vermelho e verde dos ideais republicanos contra os senhores ingleses, especialmente os do clube da Western Telegraph Company. 

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Ronaldo: o exemplo do jogador que se sacrifica no trabalho e do empresário perfeito do futebol business; mas o seu ego exuberante e a imagem de uma masculinidade mais fluida “quebram com a imagem do português que pede desculpa por existir" Phil Noble/reuters

Transgressão e controlo

“O futebol construi-se seguindo uma lógica cíclica rocambolesca de rejeição e proibição, recuperação e regulamentação pelas elites dirigentes, de novo reinvenção pelas classes populares, e posteriormente de profissionalização e mercantilização”, diz Mickael Correia. Na sua visão o futebol tornou-se um instrumento inesperado de emancipação profissional das classes mais desfavorecidas. A obra agora editada condensa a história da modalidade desde as origens, percorrendo episódios em que se tornou instrumento inesperado das lutas populares e de contestação: dos jovens dos bairros pobres e dos movimentos anticoloniais e feministas.

“Há indicações de jogos colectivos de bola desde a Grécia Antiga, e na Idade Média há testemunhos dos tumultos que estes causavam em Inglaterra ou no Noroeste da França, vistos com maus olhos pelos poderes públicos. Quase sem regras, podia haver centenas de jogadores, jogava-se dias inteiros, os terrenos podiam estender-se a uma aldeia inteira e a vitória podia ser declarada quando a bola fosse trazida para o terreno de uma das paróquias ou caso entrasse numa casa designada. Estas ocupações exerciam um papel no reforço da vida comunitária, correspondiam por vezes à transgressão das hierarquias quotidianas, como no caso do Carnaval, mas com uma tal violência que se podiam tornar um regulador de conflitos e rivalidades.” 

No século XVII, houve uma vaga de revoltas devido à privatização das terras, com o cerceamento das terras comunais pela burguesia, analisado por Karl Marx como etapa fundadora do capitalismo industrial. “Para contrariar esta situação, os camponeses organizam a luta através destes jogos de futebol selvagem, aproveitando a ocasião para arrancar as barreiras dos campos e atrasar as privatizações dos terrenos que lhes retiravam o direito de uso.” Para o historiador Norbert Elias, as proibições do jogo que se seguiram a partir da Renascença correspondem à centralização das estruturas do poder que procuravam controlar os afectos e, sobretudo, conquistar o monopólio do exercício da violência. Com os terrenos divididos em parcelas e o êxodo rural ligado à industrialização, os mais pobres foram despossuídos do jogo. 

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Sócrates, Casagrande e Wladimir do SC Corinthians de São Paulo. No início dos anos 80, o clube iniciou uma experiência de auto-gestão e tornou-se num símbolo do movimento de luta contra a ditadura brasileira J. B. SCALCO

“O futebol moderno, tal como o conhecemos hoje, surge nas escolas privadas vitorianas da Inglaterra do século XIX. Como tantas vezes acontece, os filhos da aristocracia vão inspirar-se nesses jogos populares para organizar disputas que podiam terminar em autênticas batalhas campais, enfrentando a proibição dos educadores. Mas as revoltas internas recorrentes e a emergência da revolução industrial obrigou os colégios a adoptar um novo regime pedagógico para conformar estes gentlemen à posse, necessidade veiculada pelo capitalismo industrial e colonial britânico. E o poder eclesiástico decidiu transformar a fonte principal de desordem nos colégios em instrumento de controlo, preferindo que o desporto domesticasse os corpos e ocupasse o lugar das bebedeiras e dos combates nas tabernas. Ao introduzir regras no jogo podiam-se formar as futuras classes dirigentes aos valores de competição, obediência e iniciativa, considerados indispensáveis ao desenvolvimento do Império britânico.”

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A equipa do Blackburn Olympic, de Lancashire, norte industrial da Inglaterra, foi a primeira de operários a ganhar a Copa da Inglaterra em 1883, impondo o seu jogo cooperativo aos ex-alunos de Eton que valorizavam a proeza individual DR
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Garrincha, de uma família pobre da cidade de Pau Grande, Brasil, impôs o “jogo bonito” no Mundial de 1958, incarnando o malandro indisciplinado, o oposto de um Pélé obediente, consensual e abstémio FIFA Museum

As regras uniformizaram-se entre colégios — apesar do conflito insolúvel entre os alunos de Eton e os da cidade de Rugby, que não quiseram abdicar da possibilidade de pegar na bola com a mão —, estabelecendo um regulamento de 17 regras (as mesmas de hoje) na Freemason’s Taverne de Londres em Outubro de 1863. 

“Não é surpreendente que esta regulamentação adopte os traços da revolução industrial: alargar ao maior número de indivíduos um conjunto de práticas corporais num espaço-tempo racionalizado, com uma especialização dos postos que corresponde à divisão do trabalho. Tudo se passa debaixo da vigilância de um árbitro que incarna a disciplina, com um objectivo de aumentar a produtividade: marcar golos”, continua Mickael Correia.

“Os alunos destas escolas de elite tornam-se patrões da indústria e o futebol começou a ser difundido junto da classe operária, seguindo a construção do caminho-de-ferro ou os grandes portos industriais do Império Britânico. O objectivo era incutir certos valores e impedir que os trabalhadores, então com condições de trabalho próximas da escravatura, não aproveitassem a sua recente conquista da semana inglesa para irem aos sábados à tarde beber nas tabernas ou juntarem-se no sindicato. Mas, desta vez, a utilização do futebol pelo patronato paternalista com objectivos de introduzir disciplina ir-se-ia voltar contra a lógica pretendida. Muitos clubes assim criados e financiados por industriais — o West Ham ligado à construção naval, o Manchester United associado a uma companhia ferroviária ou o Arsenal para os operários do armamento — tornam-se autónomos e acabam por desenvolver uma consciência de classe e de representação social, criando novas sociabilidades e cimentando um sentimento de pertença à volta dos jogos festejados no pub, partilhando valores de cooperação e entreajuda.” Em apenas 30 anos, depois da sua codificação enquanto desporto moderno, o futebol tornava-se uma paixão popular, uma “religião laica do proletariado”, segundo o historiador Eric Hobsbawm.

Uma dramaturgia da incerteza

O jornalista Mickael Correia, autor deste livro que renova o olhar sobre a história do futebol, adopta um ponto de vista que parecia ter desertado das análises da modalidade. Tido por “ópio do povo” — já nas suas crónicas do jornal Avanti! em 1918, o teórico marxista Antonio Gramsci considerava a importância adquirida pelo futebol como reveladora da hegemonia cultural da burguesia capitalista —, transformado hoje em indústria do divertimento dirigida pela FIFA, guiada por valores mercantis, com clubes que são marcas financeiras, estádios que são parques de atracções com bilhetes a preços exorbitantes e adeptos vistos como consumidores, como explicar a persistência da adesão popular?

“Aquilo que, no meu entender, está na base da popularidade do futebol tem que ver com um número reduzido de regras, o que faz com que seja uma gramática apropriável por qualquer pessoa, sem necessidade de meios — no Brasil, as crianças improvisam na rua com uma peúga ou um fruto. Mas talvez o mais importante seja o paralelo que fazia [o cineasta Pier Paolo] Pasolini entre o futebol e o teatro: num espaço delimitado, em que toda a acção se passa diante de nós, atravessamos as emoções de uma vida inteira, da raiva à alegria, passando pelo sentimento de injustiça. O futebol é uma dramaturgia da incerteza”, sustenta Mickael.

“Claro que não há uma separação linear entre, por um lado, o futebol como prática popular apropriada pelos jovens dos bairros pobres, pelas mulheres e pelos colonizados, e, do outro, o futebol espectáculo ligado ao business: o FC Barcelona é o clube mercantil por excelência mas também é o porta-estandarte da autonomia catalã desde a sua criação, apoiando os presos políticos durante o franquismo. O que explica o fervor com que os palestinianos seguem os jogos do Barça, encontrando ressonâncias no conflito com Israel.”

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Mickael Correia no estádio do Red Star em Saint Ouen, clube de futebol da “cintura vermelha” de Paris Hans Lucas

Para o autor de Une Histoire Populaire du Football, o futebol não escapa à política. Nem é preciso ir longe, ao lembrar a forma como a FIFA tem atribuído a organização dos mundiais a países com regimes autoritários desde que coloquem o dinheiro em cima da mesa. Mas sobretudo, e é esse futebol que interessa ao autor, em certos momentos da sua história a modalidade tem sido instrumento nas lutas dos trabalhadores do início do século XX (e no caso português na difusão dos ideais republicanos) e também nos movimentos anticoloniais e feministas — e contraria clichés acerca das claques, lembrando o papel que tiveram nas revoltas das primaveras árabes em 2011 ou nas da Praça Taksim, em Istambul, em 2013. No Egipto, o primeiro slogan anti-Mubarak ouviu-se no estádio do clube Al Ahly. Confrontados com a repressão do regime, os adeptos assumiram uma posição antiautoritária e transmitiram técnicas de autodefesa aos movimentos sociais.

“Ao contrário das conotações actuais, os hooligans ingleses surgem com a dispersão dos laços comunitários dos bairros operários, substituídos pelo alojamento social, fazendo com que os jovens turbulentos do East End londrino, inspirando-se nos mods e nos rude boys jamaicanos, e confrontados com o encerramento das docas, exacerbassem até à caricatura os códigos de vestuário paternos, incluindo botas de segurança Doc Martens e suspensórios, tentando perpetuar as solidariedades territoriais em declínio da classe operária.”

Esta leitura inscreve-se claramente na corrente de historiadores que escrevem a narrativa histórica “a partir de baixo”, recusando a percepção do cidadão comum como mero agente passivo. Mickael Correia quis escrever a história de um outro futebol, que se joga na rua e em pequenos clubes, privilegiando o espírito de equipa, a circulação da bola como obra colectiva, a procura estética do belo jogo e a “retoma do poder sobre os nossos corpos e as nossas vidas”. E não esconde que um dos seus objectivos é que a esquerda se aproprie desta história para não deixar o futebol nas mãos dos populismos xenófobos, racistas, sexistas e homofóbicos. Adepto de um pequeno clube da “cintura vermelha” de Paris, o Red Star de Saint Ouen — conhecido por ter ajudado a ocupar a sede da Federação Francesa de Futebol durante o Maio de 1968 —, escreve para o CQFD, “jornal de crítica e experimentação social”, e para a revista Jef Klak, adepta de uma visão interseccional das lutas e mais literária (ali se traduziu Gonçalo M. Tavares). Filho de portugueses emigrados da Covilhã, cidade que conheceu uma vaga importante de emigração para a indústria têxtil de Roubaix, esteve implicado em dois momentos emblemáticos das novas práticas políticas autogestionárias destes últimos anos em França: Nuit Debout, a ocupação durante meses em 2016 da Place de la République parisiense com debates que lançaram sementes para os actuais movimentos sociais, e a ZAD de Notre Dame des Landes, uma ecoaldeia comunitária surgida para combater com sucesso a construção de um novo aeroporto.

Se não desenvolve no livro a história do futebol português, nela encontramos episódios com ecos de uma história global, das origens aristocráticas à reapropriação popular através das equipas das fábricas, passando pelos combates anticolonialistas: por exemplo, dos primeiros jogos em Cascais, introduzidos em 1888 por Guilherme Pinto Basto, filho de família aristocrata, que estudava no colégio de Downside em Inglaterra, à criação do Boavista em 1903 pelos operários ingleses e portugueses da fábrica têxtil de William Graham, passando pela rivalidade entre o Sporting, clube aristocrático com terreno cedido pelo seu presidente, o visconde de Alvalade, e o Sport Lisboa e Benfica, criado pelos alunos da Casa Pia, mais popular, progressista e republicano (em 1907 é a primeira equipa portuguesa a ganhar o campeonato de Lisboa aos ingleses do Carcavelos, em tempos de descontentamento provocado pelo Ultimato).

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Em 1956 os African Wanderers, do township de Chatsworth, Durban, foram o primeiro clube de jogadores negros da Africa do Sul, numa altura em que o apartheid se obstinava a levar uma equipa unicamente branca à Copa Africana das Nações arquivo Faouzi Mahjoub/FIFA sulafricanos Museum

Mas o caso mais célebre da associação do futebol com causas colectivas deu-se quando, nas sequelas das revoltas parisienses de Maio de 1968, Coimbra entrou numa crise académica no ano seguinte, exprimindo uma insatisfação crescente com o regime, pondo a universidade em tumulto. A Académica apresentou-se de luto, com as capas de estudante caídas, no Estádio Nacional, para a final da Taça de Portugal. As figuras do regime não compareceram, houve bandeirolas com slogans antimilitaristas nas bancadas e os portugueses perceberem a mensagem. Mas outro episódio da Académica, menos lembrado, revela um aspecto determinante da participação dos jogadores de origem africana nas lutas anticoloniais. Durante a greve estudantil de 1962, a Académica solidarizou-se e não participou num jogo, levando o regime a nomear uma comissão administrativa para dirigir a equipa e impor a participação no último jogo da época. Face às pressões, a equipa cedeu, mas quatro jogadores africanos em desacordo, com a cumplicidade do capitão Mário Wilson e liderados pelo angolano Daniel Chipenda, organizam uma espectacular fuga para Marrocos, juntando-se à guerrilha do MPLA. É um episódio que lembra a fuga em 1958 de 12 argelinos a jogar em França para formar uma equipa ligada ao FLN, o movimento pela independência da Argélia, jogando por todo o mundo como embaixadores da causa. Ou a formação das primeiras competições africanas de futebol autónomas dos poderes coloniais, passando-se de uma visão do futebol “civilizador” a uma visão do futebol como emancipador — a primeira equipa nacional do Gana independente, estandarte do pan-africanismo, chamou-se Black Stars, do nome da companhia marítima de Marcus Garvey que nos anos 20 mobilizou os afro-americanos para um “regresso a África”. 

O apartheid de género

“Ontem o local da luta era a fábrica, hoje é o corpo”, declarou o teórico feminista Paul B. Preciado ao jornal Libération. De facto, o buraco negro do futebol está relacionado com o regime político que institui a dominação masculina e o apartheid de género. A história revela, no entanto, episódios contrastados: após a criação de uma primeira equipa feminina em 1894 pelas sufragistas inglesas, perante a violenta hostilidade da imprensa, a participação das mulheres no esforço da Primeira Guerra, integrando a indústria de armamento, fez com que recuperassem a participação nas equipas de futebol das fábricas, e com sucesso esmagador: as Dick, Kerr Ladies de Preston reuniram mais de dez mil espectadores em 1917. Mas, com o fim da guerra, a ansiedade masculina face a uma estabilização da hierarquia sexual levou a que progressivamente, com o apoio das corporações médicas, se instalasse um clima de pânico moral que instituiu o retorno à ordem patriarcal e proibiu a participação das mulheres em campeonatos ingleses a partir de 1921. Foram precisos 50 anos, com os ventos de revolta do final dos anos 1960, para que as mulheres voltassem a integrar campeonatos. A evidência de que este regime arbitrário de violência de género assenta na ansiedade masculina torna-se visível no facto de nos EUA, onde o futebol nunca conseguiu ter o mesmo sucesso e visibilidade, e sendo deste modo menos importante no estabelecimento do apartheid de género, as equipas femininas terem ganho os títulos mundiais de 1999 a 2015.

Quebrando tabus, várias equipas de futebol feminino, como Les Dégommeuses em Paris, composta maioritariamente por lésbicas, combatem no terreno todas as formas de discriminação e promovem o acesso à prática desportiva dos refugiados. E o hino mítico que entoam os adeptos do Liverpool, You’ll never walk alone, podia aqui reunir todas as reivindicações de um futebol militante: “Se bem que os teus sonhos sejam maltratados e levados pelo vento/ Continua a avançar, continua a avançar com o coração cheio de esperança/ E tu nunca avançarás sozinho.”

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Les Dégommeuses, equipa de futebol feminino composta maioritariamente por lésbicas, combatem no terreno todas as formas de discriminação e promovem o acesso à prática desportiva dos refugiados Teresa Sua´rez