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A Rua da Cale vai ser palco da sua própria história

Uma das mais antigas e emblemáticas ruas do Fundão vai ser palco de um espectáculo trágico-cómico que tem como mote as vivências da própria rua.

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ADRIANO MIRANDA

Chama-se "Rua Esquecida" e é uma dramaturgia que será apresentada, nos dias 4 e 5 de Agosto, no Fundão, distrito de Castelo Branco, e afirma-se como uma "espécie de memória viva do que foi esta rua outrora. Uma memória do seu sentir e do seu pulsar no tempo em que ainda não tinha perdido valor", referiu, em declarações à agência Lusa, Fernando Moreira, encenador da peça.

Segundo especificou, esta criação resulta da investigação etnográfica e dos testemunhos locais que foram recolhidos previamente pela Astro Fingido, companhia de teatro que é dinamizada pelo encenador e que aceitou o desafio de criar e dar vida a esta criação.

"É um espectáculo que, numa mistura entre realidade e ficção, se apresenta como uma homenagem ao tempo em que a rua era protagonista de quase tudo o que se passava", acrescentou, especificando que este é um espectáculo-percurso, que se movimenta entre vários pontos-chave da rua.

Será ao longo dessa "viagem" que o público ficará a conhecer uma história que cruza muitas outras histórias ali recolhidas e que estão concentradas essencialmente em três personagens: "O viajante que chega de fora, uma mulher que foi lá ter por causa de um amor antigo e uma outra mulher que vive triste e só, apesar da sua criatividade, da sua incrível capacidade de comunicação e da sua mestria a captar os outros como ninguém".

Fernando Moreira considera ainda que, mesmo sendo inspirado numa realidade local, este espectáculo também é universal e poderá ser bem acolhido pelo público de outras paragens, já que acaba por reflectir a realidade de tantas cidades e vilas do país, cada uma com a sua própria "rua esquecida".

Esta produção foi criada no âmbito da Rede Artéria, projecto de intervenção sociocultural, com coordenação artística do Teatrão e académica do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que lançou o desafio à Astro Fingido.

Co-financiado pelo Centro 2020, o projecto Rede Artéria vai criar e fazer circular espectáculos em oito concelhos da região Centro (Belmonte, Coimbra, Figueira da Foz, Fundão, Guarda, Ourém, Tábua e Viseu), concebidos a partir de um espaço e história do município e que integram a comunidade e as associações e entidades locais, como referiu, em declarações à Lusa, a coordenadora académica do projecto, Cláudia Pato de Carvalho.

"O desafio que nos propomos é juntar património, cultura e parceiros locais e isto porque não queremos simplesmente apresentar algo que pouco ou nada diga às pessoas daquele território. Pelo contrário, queremos uma criação relacionada com a identidade e a vivência do património e, claro está, das pessoas", apontou.

O espectáculo inspirado no património imaterial fundanense está integrado na programação do Festival Cale & SangriAgosto e estreia no dia 04 de agosto, com apresentações às 18:00 e às 20:00. Para o dia seguinte, também na Rua da Cale, está agendada uma sessão às 19:00, sendo que o espetáculo parte depois em digressão para Viseu (10 de agosto), Guarda (18 de agosto) e Belmonte (26 de agosto).

A "Rua Esquecida" é de Fernando Moreira (da Astro Fingido), com música original de Carlos Adolfo e coreografia de Andrea Gabilondo. Aos atores da Astro Fingido (Emílio Gomes, Filomena Gigante e Patrícia Queirós) juntam-se elementos da Academia de Música e Dança do Fundão e participantes de um 'workshop' específico para integrar elementos da comunidade.

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