Venda de prédio coloca mais uma loja no centro do Porto em risco de fechar

A Garrafeira CleriPorto terá de fechar portas até Março do próximo ano porque o prédio onde está há 19 anos foi vendido e os proprietários não chegam a acordo com a imobiliária.

Bomboneria
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Manuel Roberto

Apesar dos esforços da Câmara Municipal do Porto em evitar os encerramentos de lojas tradicionais no centro histórico, as ordens de despejo continuam a chegar aos proprietários dos estabelecimentos. Desta vez, bateu à porta da Garrafeira CleriPorto, na Rua da Assunção, 31. O prédio onde se encontra, mesmo ao lado da Torre que lhe dá parte do nome, foi vendido a uma imobiliária que rejeita as propostas do proprietário em comprar apenas o rés-do-chão do edifício, onde tem o negócio.

Os antigos proprietários contactaram José Maria Rocha em Outubro de 2016 através de uma carta de opção que anunciava o desejo de venda do prédio e propunha ao dono da CleriPorto a compra do espaço ocupado pelo estabelecimento, dando-lhe 10 dias para efectivar a mesma. “Em 10 dias como é que uma pessoa tem tempo para fazer um empréstimo, formar sociedade, arranjar uma solução?”, questiona-se José Maria Rocha. No final de Fevereiro de do ano passado, o proprietário recebeu uma nova carta, desta vez da parte da Coragem D’Autor Imobiliária S.A. — que entretanto adquirira o espaço —, que apresentava o dia 1 de Março de 2019 como a data limite para a saída de José Maria do espaço.

O ex-proprietário da vizinha Casa Oriental está disposto a quase tudo para conseguir permanecer na loja que em 1999 decorou com azulejos e vitrais, desde pagar um aumento da renda até à compra do rés-do-chão — propostas até agora rejeitadas pela imobiliária de Paços de Ferreira.

Por esse motivo, José Maria Rocha esteve na reunião da câmara de ontem, lamentando que o facto de o seu estabelecimento ter “apenas” 19 anos, o iniba de se candidatar ao programa de protecção dos estabelecimentos históricos Porto de Tradição, que obriga a uma longevidade mínima do negócio de 25 anos.

Confirmando que havia razões para o lamento, o vereador da Economia, Turismo e Comércio, Ricardo Valente, afirmou que “do ponto de vista legal” a autarquia “pouco pode fazer”. Ainda assim, não se colocou de fora do processo e garantiu que, como aconteceu noutros casos, a câmara estará disponível para intervir como uma espécie de “mediadora” no processo entre o empresário e o proprietário do edifício. Uma disponibilidade sem garantias de sucesso, mas que foi reiterada pelo presidente da câmara, Rui Moreira.Resta a José Maria Rocha encontrar um espaço onde possa armazenar e vender os cerca de 500 mil euros em vinho que tem armazenado.

O PÚBLICO tentou entrar em contacto com a imobiliária mas sem êxito.

Texto editado por Ana Fernandes