Comunistas madeirenses também vão discutir liderança

Histórico coordenador do PCP na Madeira, Edgar Silva, admite que está tudo em aberto para o congresso regional. Mesmo em termos de liderança.

,
Foto
Edgar Silva daniel rocha

Depois do PS, do Bloco de Esquerda e do CDS (neste fim-de-semana), o PCP é a próxima força política na Madeira a reorganizar-se com o pensamento nas eleições regionais do próximo ano.

Edgar Silva, o rosto dos comunistas no arquipélago desde 1998, rejeita antecipar o congresso, marcado para o início de Dezembro, mas não fecha a porta a uma passagem de testemunho. “Está tudo em aberto”, diz ao PÚBLICO o coordenador do PCP-Madeira, ressalvando, ainda assim, que não se sente “cansado” do papel partidário que vem assumindo há quase duas décadas.

O antigo padre católico desvinculou-se do sacerdócio em 1997, um ano depois de ter sido eleito como independente pelo PCP para a Assembleia Regional da Madeira. É militante comunista desde 1998 e desde então é uma figura omnipresente no partido. Deputado desde 1996, passou em simultâneo pela assembleia municipal do Funchal e pela assembleia de uma das freguesias da cidade. É membro do Comité Central do PCP desde o XVI Congresso, em Dezembro de 2000.

Em 2016, foi o candidato comunista às presidências. O resultado defraudou as expectativas da Soeiro Pereira Gomes. Foi quinto (3,95%) e falhou no objectivo de forçar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta. Ficou o resultado no Funchal, onde capitalizou o facto de ser madeirense para ser o segundo candidato mais votado, ultrapassando os 20 mil votos. Ainda assim, distante dos 46 mil votos conseguidos, cinco anos antes, por José Manuel Coelho.

Cansado? Edgar Silva repete que não, mas também não se compromete. A única certeza, diz, é que vai continuar a integrar a direcção dos comunistas no Funchal. “Só em Setembro é que vamos começar a preparar o congresso. Até lá, é prematuro abordar essas questões”, justifica o candidato do PCP às presidências de 2016, acrescentando que seria uma irresponsabilidade antecipar qualquer cenário pós-congresso.

A reunião magna dos comunistas madeirenses está agenda para 1 e 2 de Dezembro e, na apresentação aos jornalistas, Edgar Silva falou das “decisivas batalhas eleitorais” dos próximos anos, apontando a necessidade de edificar um “novo rumo” para a região, governada desde 1976 pelo PSD.

“Temos criado condições para o aparecimento de uma nova geração de dirigentes políticos no partido”, sublinha ao PÚBLICO, apontando a assembleia municipal do Funchal como exemplo dessa renovação.

Mas é no parlamento regional que as mudanças são mais visíveis. Nas últimas regionais, a CDU foi a quinta força política mais votada, à frente do Bloco, elegendo dois deputados: Edgar Silva e Sílvia Vasconcelos. O partido obteve das melhores votações de sempre na Madeira e ficou à porta de eleger, pela primeira vez, um terceiro parlamentar.

No final do ano passado, dando seguimento às políticas de rotatividade, Edgar Silva cedeu o lugar a Ricardo Lume, o terceiro da lista, mas tem sido Sílvia Vasconcelos a assumir o protagonismo da bancada. Bem preparada, assertiva e conhecedora dos dossiers, como é tradição no PCP, a veterinária de 46 anos lidera o grupo parlamentar e tem sido a voz comunista que mais se tem ouvido na Madeira. É por isso o nome mais consensual, para a uma sucessão de Edgar Silva. “Está tudo em aberto”, insiste o actual coordenador do PCP-Madeira.

Rui Barreto chega sozinho ao Congresso do CDS-Madeira

Três anos depois de ter retirado a candidatura à liderança do CDS-Madeira, em nome da unidade do partido, Rui Barreto chega este fim-de-semana como único candidato ao partido que lidera a oposição no arquipélago.

Mesmo assim, o XVII Congresso do CDS-Madeira, que arranca neste sábado com a presença do vice-presidente do partido, Adolfo Mesquita Nunes, do secretário-geral, Pedro Morais Soares, e do líder parlamentar em São Bento, Nuno Magalhães, e termina no domingo com Assunção Cristas, não deverá ser pacífico.

A candidatura de Rafael Sousa foi considerada inválida pelo Conselho Nacional de Jurisdição, por irregularidades relacionadas com as assinaturas dos subscritores da moção que pretendia levar ao congresso. Em causa estão assinaturas de militantes da Juventude Popular, que o partido diz não serem válidas. Barreto, de 41 anos, lidera a bancada na assembleia madeirense, é vereador no Funchal e foi deputado em São Bento.