CDS lança já campanha para as europeias com dez ideias

Primeiro cartaz com Nuno Melo é afixado esta quinta-feira, no dia em que o partido celebra o seu aniversário.

István Deák, Europa no Julgamento: A História da Colaboração, Resistência e Retribuição Durante a Segunda Guerra Mundial, o queixo
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O CDS-PP lança nesta quinta-feira, em Matosinhos, a primeira iniciativa de campanha para as europeias de 2019: um cartaz e um flyer com dez ideias sobre a Europa. O modelo é inspirado na campanha de Assunção Cristas nas autárquicas em Lisboa. “Queremos estar no terreno antes dos outros e queremos ouvir as pessoas”, assume ao PÚBLICO Nuno Melo, eurodeputado e o número um da lista do CDS.

Já com os primeiros quatro nomes da lista para as europeias anunciados, o CDS mantém a estratégia de jogar na antecipação. “A ideia é dar um sinal político importante, já que as questões europeias não se discutem nem se tratam três meses antes das eleições”, afirma o vice-presidente do partido, que foi eleito eurodeputado, pela primeira vez, em 2009. No flyer que começa agora a ser distribuído, o candidato quer saber “as preocupações” dos eleitores sobre o “futuro da Europa” e que mudanças consideram importantes para a “construção de um projecto europeu mais eficiente e mais próximo dos cidadãos”.

Procurar saber a opinião dos eleitores foi um dos pontos da estratégia de campanha da líder do CDS nas autárquicas de Lisboa, depois de se ter assumido como candidata um ano antes - sozinha, sem o PSD. O resultado foi o melhor de sempre do partido em Lisboa. Nas eleições europeias de Maio de 2019, o objectivo é pelo menos duplicar o resultado. “Gostava de reconquistar para o CDS o outro deputado que perdemos. Acredito que é possível”, afirma.

O CDS parte para a campanha das europeias no dia do seu aniversário – assinalam-se nesta quinta-feira 44 anos – com dez ideias. À cabeça, o partido assume-se “como europeísta e não federalista” e defende que o país, como Estado-membro da União Europeia, “não prescinde da sua vocação atlântica secular e do relacionamento privilegiado com todos os países de expressão portuguesa.” A rejeição do federalismo contrasta com a sua defesa por parte do eurodeputado do PSD Paulo Rangel. No entanto, os sociais-democratas ainda não apresentaram o cabeça-de-lista às próximas europeias.

Numa Europa que se vê a braços com um problema de refugiados, o CDS defende o acolhimento, mas com regras. “O espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos mas exigimos respeito pelas nossas leis, valores costumes. A segurança dos cidadãos é uma prioridade”, lê-se no flyer. Questionado sobre a associação entre acolhimento e segurança, Nuno Melo sustenta que “as migrações têm implicações na segurança” e que a questão “não pode ser vista numa perspectiva romântica”. O eurodeputado cita dados da base nacional da Áustria (AFIS Automated Fingerprint identification System), segundo a qual, em 23.470 pedidos de asilo registados em 2017, 6258 pessoas tinham “antecedentes criminais”. Nuno Melo, que é relator da proposta sobre interoperabilidade, defende que a União Europeia deveria ter sistemas de informação centralizados, que pudessem trocar dados entre si, para evitar que pessoas, incluindo “suspeitos de terrorismo estejam registadas com nomes diferentes em diversas bases de dados sem ligação entre elas”.

“A Europa deve ser um espaço de acolhimento mas temos de assegurar, à entrada, que as pessoas vêm com boas intenções e com vontade de respeitar as nossas leis”, afirma, defendendo, no entanto, que “as pessoas que tentam alcançar a Europa por mar têm de ser todas resgatadas”.

Entre as outras ideias que o CDS quer fixar na sua agenda estão ainda um “reforço das políticas de coesão”, de uma “maior justiça na distribuição da Política Agrícola Comum, e um "aumento do Orçamento da União Europeia sem recurso a impostos europeus". O CDS reivindica “melhores regras na sustentabilidade da zona euro e a concretização da União Bancária”, defende um mecanismo de protecção civil “eficaz contra situações de catástrofe, a seca e a desertificação” e a exige a ligação da Península Ibérica às redes europeias. Os centristas elegem ainda a necessidade da criação do mercado único digital, da aposta na economia azul e nas políticas de incentivo à demografia, além de defenderem a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais bem como o “intercâmbio de alunos e investigadores”.