Uma estreia com brilho do FK Suduva na Champions

Clube quase centenário vive dias de glória. Depois da primeira conquista do campeonato, os lituanos eliminaram o APOEL.

Frank Pallone, Esporte de equipe, T-shirt
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Bruno Dybal, médio ofensivo do Suduva que já passou por Portugal DR

Campeão da Lituânia pela primeira vez na história e actual líder destacado de “A Lyga”, o quase centenário FK Suduva, emblema que representa a diminuta Marijampolé – apenas a sétima cidade mais relevante do país, junto à fronteira com Polónia e Rússia – eliminou o APOEL (3-2) na primeira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e prepara-se já para enfrentar o histórico Estrela Vermelha, da Sérvia.

O FK Suduva surpreendeu os cipriotas orientados pelo português Bruno Baltazar, clube onde actuam os também portugueses Yohan Tavares e Nuno Morais, vencendo por decisivos 3-1 na Lituânia e perdendo por 0-1 em Nicósia, escrevendo um novo capítulo da história do emblema que nunca passara da segunda pré-eliminatória da Liga Europa no actual formato e que na Lituânia só conseguira, até à época passada, dois segundos lugares.

Sem grandes pergaminhos, o factor surpresa, com três golos de Rigino Cicilia em apenas 19 minutos, na primeira mão, foi preponderante para superar a primeira etapa. Mas o FK Suduva terá agora que esgrimir outros argumentos se quiser percorrer o caminho da fama até à fase de grupos da milionária Champions League.

Apesar de o momento ser de festa, a próxima ronda está praticamente à porta, com uma deslocação a Belgrado, na Sérvia, agendada para dia 24 de Julho (terça-feira), o que mantém os jogadores com os pés bem assentes no chão, ainda que só hoje regressem a casa, depois de um dia de espera em território cipriota.

Entre os “heróis” do FK Suduva, destaque para Bruno Dybal, um médio de ataque brasileiro com nacionalidade polaca, de 24 anos, formado no Palmeiras e que já passou pelo futebol português. Para Dybal, que representou o Gil Vicente em 2016-17, depois de uma passagem pelo Japão, este é também um momento único na carreira, já que pôde estrear-se na Liga dos campeões.

“É mais um sonho realizado. Estou muito feliz e honrado por participar na Champions”, destaca, em declarações ao PÚBLICO, ainda em busca da afirmação plena, depois de trocar Barcelos por Marijampolé. “Tenho saudades de Barcelos e de Portugal, mas surgiu esta oportunidade e aceitei o desafio”, justifica, decisão que garante não ter qualquer relação com os bisavós polacos nem com o facto de estar a meia hora da fronteira com a Polónia.

“Na verdade foi um jogador brasileiro que me indicou. Depois, o Suduva abordou-me directamente. Apenas isso. Não tenho familiares aqui”, explica, pronto para descrever um pouco o sentimento dos adeptos do FK Suduva.

“É uma cidade pequena, mas a torcida é apaixonada. Mesmo não sendo o futebol a modalidade mais importante na Lituânia [é o basquetebol que mais atenções atrai], quando joga em casa tem sempre muita gente. Por isso, não sei bem o que esperar quando regressarmos. Não sei que tipo de recepção teremos. Além disso, já estamos focados na próxima eliminatória, frente a um adversário muito difícil. Mas o APOEL também era favorito e estamos apurados”, desafia.

Dybal, que desconhece qualquer relação com o internacional argentino da Juventus Paulo Dybala, admite que os três golos de Cicilia foram importantes, mas sublinha a “qualidade da equipa”, ainda que não seja fácil traduzir todas as emoções quando o balneário é dominado pelo lituano, russo ou croata, idiomas que se comparam ao japonês em grau de complexidade.

“O idioma é bem difícil. Mas o chileno Gerson Acevedo, que jogou muitos anos na Rússia, fala com o treinador em russo e traduz tudo”, explica, considerando ainda que a “dedicação e união do grupo são determinantes” para o sucesso do FK Suduva, cuja história na Liga das estrelas está sempre a tempo de revelar novos sucessos.