Bienal de Arte de Veneza 2019 vai abordar os actuais "tempos interessantes"

Tema escolhido pelo curador Ralph Rugoff foi inspirado numa maldição antiga, que desejava ao visado tempos de incerteza, crise e turbulência – o retrato da actualidade.

Galeria Hayward, Ralph Rugoff, 2019, Bienal de Veneza, Arte
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Ralph Rugoff DR

Uma antiga maldição chinesa, que se refere a "tempos interessantes", significando crise e turbulência, vai ser o tema da próxima Bienal de Arte de Veneza, em 2019, anunciou esta segunda-feira o curador responsável, Ralph Rugoff.

Falando numa conferência de imprensa, em Veneza, em conjunto com o presidente da bienal, Paolo Baratta, Rugoff traçou a visão curatorial da 58.ª Exposição Internacional de Arte, que decorrerá entre 11 de Maio a 24 de Novembro, nas zonas dos Giardini e do Arsenale, entre outros espaços da cidade italiana.

O tema da bienal, segundo o curador, foi retirado da expressão "May  you  live  in  interesting  times" ("Que vivas tempos interessantes", em tradução livre), que remete para uma antiga maldição que desejava ao visado tempos de incerteza, crise e turbulência, que, segundo o responsável, espelham a actualidade.

"Num momento em que a disseminação digital das notícias falsas e factos alternativos está a corroer o discurso político e a confiança de que depende, é importante fazer uma pausa para encontrar as nossas referências", disse Ralph Rugoff, que é responsável pela Hayward Gallery, em Londres.

A Bienal de Arte de Veneza 2019 "não terá um tema por si própria, mas irá destacar uma abordagem geral à criação artística e uma visão da arte como função social, abraçando tanto o prazer como o pensamento crítico", acrescentou.

"Artistas que pensem desta maneira vão oferecer alternativas ao significado dos chamados factos, sugerindo outras formas de comunicar e contextualizá-los", disse ainda o curador. O objectivo, segundo Ralph Rugoff, é "acolher o público numa experiência expansiva de profundo envolvimento, absorção e aprendizagem criativa que a arte torne possível".

Por seu turno, Paolo Baratta considerou que o convite ao norte-americano Ralph Rugoff para curador visa "contribuir e dar mais claridade formal à ideia cuidada nos últimos vinte anos sobre o papel da bienal, especialmente na área da arte".

"Estamos comprometidos com o princípio de que a instituição deve ser uma máquina para ver o futuro, uma necessidade que a arte pode satisfazer", acrescentou. Ao mesmo tempo, é desejo do presidente que, neste evento, "cada visitante possa estar face a face com as obras de arte, e que sejam inspirados e motivados por elas".

Além das representações nacionais e da exposição geral, com artistas de todo o mundo, a bienal terá um programa de eventos paralelo.