Crítica

Ian McEwan precisava de outras unhas

Os actores são bons, e o filme tem aquela solidez de produção britânica de “prestígio”. Mas tudo isso é magro consolo perante obra tão decepcionante.

Na praia de Chesil, na praia de Chesil, Ian McEwan, Saoirse Ronan
Fotogaleria
Saoirse Ronan, na praia de Chesil, na praia de Chesil, Ian McEwan, Edward Mayhew, Billy Howle
Fotogaleria
Na praia de Chesil, na praia de Chesil, Ian McEwan
Fotogaleria
Saoirse Ronan, na praia de Chesil, na praia de Chesil, violino, Violone
Fotogaleria

Que o próprio Ian McEwan assine o argumento, adaptado do seu romance homónimo, faz de Na Praia de Chesil algo muito próximo de uma versão autorizada e “oficial”. Será, portanto, “correcta”, do ponto de vista da factura e da fidelidade ao espírito do original literário. Não obstante, precisava de outras unhas, precisava de um realizador menos ilustrativo, menos “escolar” na sua relação com o argumento —  tanto mais que é uma história que se passa na cabeça das personagens, feita de pensamentos, sensações e memórias.

A relação deste lado introspectivo com as imagens (portanto, com as acções) resulta bastante fraca, como se nada falasse por si, e como se Cooke não acreditasse verdadeiramente nas imagens que encena (precisando das palavras para revelar o que não se vê) nem nas palavras que faz ouvir (precisando das imagens para as confirmar). Para atestar isto bastaria a cena crucial, a da noite de núpcias catastrófica, que fica a milhas de conseguir sugerir o abismo que ali se abre em cada um dos membros do casal.

Eles —  os actores—  são bons, e o filme tem aquela solidez de produção britânica de “prestígio”, mas tudo isso é magro consolo perante obra tão decepcionante.