Crianças desaparecidas em gruta já foram encontradas

Os 12 rapazes e o adulto que se encontravam desaparecidos numa gruta no Norte da Tailândia foram localizados com vida pelas autoridades tailandesas.

Tham Luang, parque nacional da floresta de Tham Luang - de Khun Nam Nang Non, caverna, Chiang Rai
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Membros das equipas de resgate estudam o mapa das grutas da região de Tham Luang EPA/PONGMANAT TASIRI
Tham Luang, caverna, Tailândia
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Chiang Rai, Tham Luang, caverna
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Tham Luang, Tailândia, caverna
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Tham Luang, lago subterrâneo, caverna, Chiang Rai
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Chiang Rai, Tham Luang
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Soldado, Fotografias
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Rotor helicóptero, sino, uh-1, iroqueses, helicóptero, militar, helicóptero, força aérea
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Os 12 rapazes e o adulto de 25 anos que se encontravam desaparecidos há nove dias numa gruta de um complexo turístico no Norte da Tailândia foram localizados com vida. O governador local garante que todos se encontram com vida, noticia a BBC News.

As equipas de socorro tailandesas, que estão a proceder ao resgate, estão com dificuldades no acesso à câmara da gruta onde se encontram os jovens devido à subida das águas e à lama, causada pela chuva forte que caiu nos últimos dias.

No sábado, dia 23 de Junho, estes rapazes da equipa tailandesa dos Wild Boars largaram as bicicletas, puseram as mochilas às costas e aventuraram-se pela caverna de Tham Luang, que tem cerca de oito quilómetros de comprimento.

O trajecto é popular entre os turistas, mas, a dada altura, já dentro da rede de grutas, surgem sinais a aconselhar a interrupção da marcha, nomeadamente no período de chuvas, que já começou naquela região asiática. A população local diz também que as profundezas da caverna são perigosas. Mesmo assim, os rapazes terão seguido caminho.

Pelo que se sabe, os jovens avançaram até uma zona estreita, marcando aí os três quilómetros percorridos e largando as mochilas e sapatos. Além de pegadas, estes eram os únicos sinais dos rapazes identificados até agora.

Horas depois, um segurança do complexo avisou as autoridades, depois de ter visto as bicicletas no mesmo sítio e já depois do encerramento do parque.

As operações de resgate começaram quase de imediato mas, até ao momento, sem sucesso. Trabalhando 24 horas sobre 24 horas, as equipas de emergência largaram 20 caixas com água potável, comida, medicamentos e uma lanterna, na esperança que alcancem os rapazes enquanto tentam desbravar caminho. Além disso, foi enviada uma nota: “Se receberam, então respondam e mostrem no mapa onde estão. Toda a gente vai ajudar rapidamente.”

“Se os jovens encontrarem a caixa, queremos que a coloquem a flutuar para fora da caverna”, explicou à Reuters o coronel da polícia local, Kraiboon Sotsong.

Buscas com Seals dos EUA e 1000 socorristas

Diversas equipas de especialistas internacionais, incluindo 30 militares norte-americanos, responderam ao pedido de ajuda do Governo tailandês e juntaram-se aos cerca de 1000 socorristas tailandeses.

Porém, as condições do local dificultam as operações. No início da semana, os mergulhadores entraram na gruta e estiveram a dois ou três quilómetros do local onde terão estado os jovens. Mas tiveram de voltar para trás devido às súbitas inundações provocadas pela chuva.

Neste domingo, as equipas alcançaram finalmente o local, revelou o governador de Chiang Rai, Narongsak Osottanakorn. Desta vez deixaram botijas de oxigénio ao longo do caminho para que os mergulhadores que se seguiram pudessem explorar durante mais tempo. E também na esperança de que isso pudesse salvar a vida dos jovens.

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Helicópteros militares sobrevoam a região à procura de sinais de vida REUTERS/Soe Zeya Tun

As fortes chuvas tinham também dificultado o trabalho dos helicópteros e drones que sobrevoavam a área em busca de entradas escondidas.

A falta de luz, que é praticamente total, é outro dos obstáculos no caminho das equipas de salvamento.

“A situação é melhor hoje do que ontem e do que do dia anterior. A água recuou consideravelmente e estamos a bombear água em todas as câmaras”, disse Narongsak aos jornalistas, citado pelo Guardian.

Além da água que inunda as cavernas, a falta de alimentos também é preocupante. E torna estas operações uma corrida contra o tempo.

Apesar de terem acesso a água fresca, Anmar Mirza, coordenador do Comité de Resgate de Cavernas dos Estados Unidos, avisou para os riscos das bactérias aí presentes: “Se eles beberem a água das cavernas e ficarem doentes o problema ainda pode ser maior, mas se eles não beberem também é um problema”, disse, segundo o Guardian.

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John Volamthen é um dos mergulhadores britânicos que se envolveram nas buscas EPA/PONGMANAT TASIRI

Sobre a falta de comida, Mirza é mais optimista, afirmando que, sendo jovens e atletas, os rapazes podem sobreviver “facilmente durante um mês ou mês e meio”.

“Se eles estiveram vivos, o maior problema neste momento é psicológico, porque não sabem quando podem ser resgatados”, acrescentou então.

“Fisicamente, não é uma gruta difícil, é só muito longa e tem passagens grandes e pequenas”, disse à CNN o britânico Vernon Unsworth, que vive há muito em Chiang Rai e que já explorou a gruta anteriormente: “Não é difícil, mas se as crianças foram para demasiado longe, as inundações vão acabar por chegar. A chuva não está a facilitar nada.”

O primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha, visitou o local na sexta-feira para lançar um apelo às equipas de resgate, de acordo com a Reuters. “Tudo o que possa ser feito façam-no, o Governo vai apoiar-vos.”

A situação gerou um clima de consternação nacional na Tailândia. As vigílias de populares e também das famílias no local são diárias. Na Internet multiplicam-se as mensagens de apoio e de esperança.

Notícia actualizada a 2 de Julho, às 17h50.