Igreja deve ajudar a inverter a “tragédia humanitária” dos refugiados, diz António Marto

Novo cardeal falou aos jornalistas portugueses antes de receber os símbolos da nomeação, o barrete e o anel. Cerimónia começa às 15 horas.

António Marto é o único português entre os 14 que esta quinta-feira ficam cardeais
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António Marto é o único português entre os 14 que esta quinta-feira ficam cardeais Daniel Rocha

O novo cardeal português, António Marto, considera que a Igreja deve estar empenhada na “construção de pontes”, para ajudar a inverter e evitar a “tragédia humanitária” que já se vive em relação aos refugiados que procuram a Europa.

Em Roma, onde se encontra para, nesta tarde de quinta-feira, receber os símbolos da nomeação como cardeal – o barrete e o anel –, o bispo de Leiria-Fátima repetiu a expressão que usara na véspera na entrevista ao PÚBLICO. A Igreja tem de se empenhar “na construção da paz”, afirmou a um conjunto de jornalistas portugueses. De um modo especial, acrescentou, em relação aos refugiados e migrantes.

A cerimónia de imposição dos símbolos cardinalícios decorre a partir das 16h locais (15h em Lisboa), na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O ritual prevê que, imediatamente antes dessa cerimónia, o Papa faça uma homilia.

O novo cardeal disse ainda que, apesar de se ter visto surpreendido com a sua escolha para este cargo de conselheiro de Francisco, ela se deverá também a alguma dose de “aprovação” do trabalho que tem feito em Fátima e ao facto de ele próprio se posicionar como “apoiante do Papa” e “apoiante da reforma que o Papa” quer para a Igreja. E explicitou: “Uma Igreja mais evangélica, menos burocrática, mais próxima das pessoas, mais acolhedora, de não exclusão, mais misericordiosa para com as situações de fragilidade, vulnerabilidade, mais atenta aos desfavorecidos, aos pobres, mais construtora de pontes.”

Também em linha com o que tem defendido, o novo cardeal acrescentou que as pessoas não devem ter “muitas expectativas” em relação ao seu novo cargo, pelo menos no que respeita a Portugal: “Faço parte de uma conferência episcopal em que cada bispo tem a sua voz, sou um bispo como os outros.” Do mesmo modo, afirma não acreditar que, tal como sucede com Lisboa, a sua nomeação venha a criar qualquer tipo de precedente: a escolha dos cardeais depende de cada Papa, por isso, não será de prever que, por ser agora nomeado para este cargo, os futuros bispos da diocese também o venham a ser.

Com a nomeação de António Marto – o único português entre os 14 que nesta quinta-feira ficam cardeais –, passará a haver dois portugueses entre os 125 eleitores de um novo Papa num eventual futuro conclave. Os outros dois cardeais portugueses – José Saraiva Martins e Manuel Monteiro de Castro – já têm mais de 80 anos e estão, por isso, excluídos da faculdade de participar na eleição de um novo Papa.