Entrevista

O escândalo dos abusos sexuais "nos países anglo-saxónicos foi terrível"

"Nem imaginava a dimensão que isto tinha", afirma D. António Marto, a propósito do escândalo de abusos sexuais na Igreja Católica, sublinhando que nos países latinos os casos foram "pontuais". E confessa que, "nunca, por graça de Deus" foi confrontado com alguma situação

Nossa Senhora de Fátima, Santuário de Fátima
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A Igreja Católica em Portugal tem neste momento pouco mais de 2900 presbíteros, não chegam a três mil. Para quem foi formador no Seminário Maior do Porto durante vários anos, sente que a falta de padres está a baixar a exigência na sua formação?

Estive 23 anos no seminário e agora como bispo, quer a nível pessoal quer as indicações que temos do santo padre é que não baixemos a fasquia.

Agora, a formação ressente-se das mudanças que houve. Antigamente havia muita mais exigência no secundário, vinham com outra preparação. Dei conta disso quando estava na universidade [a dar aulas], os últimos anos já não eram a mesma coisa. E depois veja também as fragilidades psicológicas de hoje: a juventude sofre de grandes fragilidades psicológicas, derivadas da família e do ambiente, e é assim que os temos de receber. Os seminários agora têm apoio psicológico, que não existia antigamente, e isso é muito importante em ordem ao seu crescimento, à purificação das motivações, das intenções, e da cura das fragilidades.

O escândalo dos abusos sexuais obriga a uma maior exigência na formação?

Sem dúvida, foi uma coisa que estava assolapada. Nem eu imaginava a dimensão que isto tinha. Felizmente em Portugal e nos países latinos foi muito comedida - houve casos pontuais -, mas nos países anglo-saxónicos foi terrível.

Nunca foi confrontado com nenhum caso?

Nunca, por graça de Deus.