Estudar na véspera do exame? Não, o melhor é relaxar

“O que está sabido, está sabido.” Na véspera do exame, de pouco vale tentar estudar matéria que ainda não está sabida. Resta rever, recuperar dos dias de esforço e descontrair. São alguns dos conselhos deixados por especialistas. A ansiedade é normal.

Biologia
Foto
Paulo Pimenta

Os exames nacionais, que arrancam nesta segunda-feira, são fonte de alguma ansiedade para os 260 mil alunos inscritos. No período entre o fim das aulas e o dia da prova, as horas a fio passadas com os olhos postos na matéria tornam-se rotina. Mas chegado o dia que antecede a derradeira avaliação, já pouco haverá a fazer se não relaxar. Dois psicólogos, um professor, um pediatra e uma nutricionista explicam como deve ser passado o dia que antecede o exame. Uma coisa é certa: estudar sem parar está fora de questão.

O professor de Educação Física Alexandre Henriques aconselha a revisão dos temas de manhã e ao fim do dia. E avisa que “não se pode ir para a véspera sem saber a matéria”. No fundo, o dia que antecede o exame deve ser de “recuperação e descontracção”. O pediatra Mário Cordeiro sugere que "vão dar uma volta, ao cinema, ver montras, andar a pé, qualquer coisa". 

Também o psicólogo e professor da Universidade do Minho, João Lopes, reconhece que, quanto à matéria estudada, “não há nada a fazer” neste último dia. Resta “levar a vida normal”. O psicólogo defende ainda que a ansiedade “pode ser positiva, desde que não seja disfuncional”. Para descontrair, sugere a prática de alguma actividade física, mas reconhece que não seja o ideal para todas as pessoas. “Há quem fique ainda mais ansioso quando se desvia do foco” e essas pessoas devem então rever a matéria. 

Acima de tudo, é importante que os jovens “acreditem em si”, sublinha a psicóloga Ana Cristina Silva. E remata: “O que está sabido, está sabido.”

Sobre a alimentação, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, defende que “não existem receitas milagrosas, pelo que se deve apostar na prática de uma alimentação saudável ao longo de todo o ano: completa, variada e equilibrada”. E pormenoriza que “é importante fazer cinco a seis refeições distribuídas ao longo do dia, com intervalos de 2h30 a 3h, assegurando a manutenção da glicemia (concentração de açúcar no sangue) necessária para permitir uma boa concentração tão importante nesta altura do ano”.

Café ao pequeno-almoço

O pequeno-almoço “é uma refeição que, quando tomada de forma adequada, pode contribuir positivamente para melhorar os níveis de atenção, de concentração e de memória”, sublinha. Ainda no sentido de potenciar a função cognitiva, os peixes gordos como a cavala e a sardinha devem ser integrados na alimentação. Outro aspecto fundamental, diz a nutricionista, é a hidratação. Por isso, “é importante promover a ingestão regular de água entre 1,5 a dois litros por dia, faseadamente ao longo do dia para antecipar a sensação de sede”. Também a sopa, “por conter uma elevada quantidade de água e ser nutricionalmente rica”, deve ser consumida diariamente.

E se é certo que dormir é crucial, o psicólogo João Lopes também desdramatiza este aspecto. “Durmam o que puderem, porque o sono não se força.” Já o pediatra Mário Cordeiro apresenta outra estratégia: há que dormir oito horas, pelo que o melhor é deitar duas horas antes, porque já se espera alguma dificuldade em adormecer. Não vale a pena “ficar a estudar até às tantas”. Para garantir um sono de qualidade pode beber-se um chá de camomila e não fazer “nada de muito excitante antes de deitar” — os “ecrãs são de abolir”, defende o médico.

Mário Cordeiro alonga-se nos conselhos para o próprio dia do exame. “Se for à tarde, aproveitar a manhã para dormir é excelente” — algo que também se aplica ao dia anterior; quanto ao pequeno-almoço, aconselha “beber um café bem forte, porque ajuda à concentração, e comer pão com doce ou queijo". "Antes do exame, comer duas ou três gomas para ter ‘açúcar rápido’ e o cérebro funcionar mais a turbo. Beber bastante água durante a prova também ajuda a agilizar os processos cerebrais”, diz o médico.