Opinião

Uma Ordem dos Fisioterapeutas para melhorar a saúde dos portugueses

Com mais de 11 mil profissionais, os fisioterapeutas são a terceira profissão de saúde do país.

O principal objetivo dos que defendem a existência da Ordem dos Fisioterapeutas é melhorar os cuidados de saúde que são prestados em Portugal.

A Fisioterapia é a área científica da saúde especializada no sistema do movimento humano, dedicando-se a permitir aos indivíduos e às populações em geral desenvolverem, manterem e restaurarem a mobilidade e capacidade funcional ao longo da vida. Esta é, aliás, a definição que a Confederação Mundial da Fisioterapia (WCPT) atribui aos serviços prestados pelos fisioterapeutas, ao mesmo tempo que está empenhada em promover a profissão de fisioterapia, contribuindo para melhorar a saúde global do cidadão, incentivando altos padrões de investigação, educação e prática de fisioterapia baseada na melhor evidência existente.

Em Portugal, a licenciatura em fisioterapia é de quatro anos, e os estudos podem progredir para os cursos de mestrado e doutoramento nesta área científica que se foca em identificar e em maximizar a qualidade de vida e o potencial de movimento das pessoas, nomeadamente através da promoção da saúde. A investigação nesta área científica é essencial para o tratamento e reabilitação em patologias tão relevantes como, por exemplo, os acidentes cardiovasculares, as doenças pulmonares obstrutivas crónicas ou as lombalgias e cervicalgias.

Nestes casos, a capacidade dos fisioterapeutas para otimizar novos circuitos neuronais, quer promovendo uma recuperação motora, quer promovendo uma recuperação funcional, torna-os indispensáveis aos processos de reabilitação. O mesmo se passa em relação a técnicas de desobstrução brônquica e de controlo respiratório, expansão pulmonar, alívio de dispneia e conservação de energia, ventilação mecânica, aerossolterapia e reabilitação cardíaca e respiratória, assim como muitos outros atos que integram o processo fisioterapêutico.

A Ordem dos Fisioterapeutas terá, desde logo, o grande mérito de garantir que só acede à profissão quem tem a formação e a competência para prestar estes cuidados. Será a entidade certa para avaliar se os cuidados de fisioterapia são bem ou mal prestados, se estão ou não em linha com as mais recentes “guidelines” internacionais.

A Ordem dos Fisioterapeutas garantirá, por outro lado, que profissões de saúde com que os fisioterapeutas trabalham em equipas multidisciplinares tenham uma organização com igual nível de responsabilidade e representação como interlocutora, podendo contar com uma organização profissional que garantirá uma verdadeira fisioterapia de qualidade, promovendo os melhores cuidados de saúde nas equipas multidisciplinares no sentido da máxima proteção da saúde dos cidadãos. 

Falta agora que os fisioterapeutas – cuja preparação e competência técnica é reconhecida nos países mais desenvolvidos do mundo através da existência de ordens profissionais – tenham, também em Portugal, a sua Ordem. Com mais de 11 mil profissionais, os fisioterapeutas são a terceira profissão de saúde do país. Destes, só 1350 trabalham no Serviço Nacional de Saúde. A maioria dos fisioterapeutas exerce atividade no setor privado, e boa parte como profissionais liberais: é por isso que devem ter uma Ordem a regular a sua atividade e a garantir aos cidadãos que os cuidados de saúde que recebem são bem prestados.

Os fisioterapeutas são representados por uma Comissão Pró-Ordem que tem feito um trabalho notável na promoção desta causa. Resultado é a aprovação, na generalidade, na Assembleia da República, da criação da Ordem dos Fisioterapeutas, em 20 de outubro de 2017. Falta agora o último passo: aprovar a nova Ordem dos Fisioterapeutas na especialidade. Quando o fizerem – e espera-se que o façam em breve –, os deputados estarão a defender a qualidade dos cuidados de saúde a prestar aos portugueses e a promover o bom uso dos dinheiros que tanto o Estado como os cidadãos aplicam na saúde.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico