Politécnicos do Litoral com vagas congeladas

Apenas as instituições do interior vão aumentar em 5% os lugares para novos alunos autorizados pelo Governo.

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Pedro Dominguinhos preside ao CCISP Rui Gaudêncio

Os politécnicos situados no litoral do país vão manter o mesmo número de vagas para novos alunos no próximo ano lectivo, apesar de legalmente poderem aumentá-lo em 5%. Esta é a resposta do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) à decisão do Governo de reduzir 1100 vagas nas instituições de ensino de Lisboa e Porto, canalizando-os para outras regiões do país. Apenas os institutos superiores do interior vão beneficiar desta possibilidade.

A decisão foi aprovada “por unanimidade” numa reunião do CCISP realizada esta quarta-feira, em Santarém. Em causa estão os politécnicos de Viana do Castelo, Cávado e Ave, Coimbra, Leiria e Setúbal, que abdicam do possível aumento de 5% das suas vagas.

A solução atende “ao desígnio nacional de promover a coesão territorial, às conclusões do relatório do Movimento pelo Interior e aos benefícios a promover em prol do país”, justifica o organismo presidido por Pedro Dominguinhos, que também lidera o politécnico de Setúbal, em comunicado.

Este congelamento de vagas nos politécnicos do litoral tem uma excepção, as áreas das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica, que o Governo apontou como cruciais para o desenvolvimento do país no despacho orientador da fixação de lugares para novos alunos do ensino superior para o próximo ano. Nestas as vagas podem ser aumentadas, mesmo nos politécnicos do litoral, defende o CCISP.

O despacho de vagas do ensino superior para o próximo ano lectivo estabelece uma redução de 5% nas vagas totais das instituições de ensino superior de Lisboa e do Porto. Em causa estão 1100 lugares, que deviam ser canalizados para outras regiões do país.

Num parecer enviado à tutela, o CCISP já tinha avisado que essa pode não ser a melhor solução para os problemas do desequilíbrio na procura do sector, uma vez que há riscos de que os alunos que não podem estudar em Lisboa e Porto escolham outras instituições do litoral, em lugar de ir para o interior. A solução defendida pelo CCISP consta do preâmbulo do despacho de vagas para o próximo ano lectivo como uma solução a ser avaliada no futuro, mas não será levada em conta no imediato.