Opinião

Abaixo os princeses

Quantas vezes se diz a um menino “Olá, príncipe, estás tão bonito”? Pois é. O mal de chamar princesas às meninas é precisamente o facto de estar tão generalizado.

Será preciso uma comissão para proteger a Comissão para a Cidadania e a Igualdade do Género (CIG) do ódio dos cidadãos? O trabalho da CIG tem sido admiravelmente sensato. As reacções histriónicas a este trabalho são a deprimente prova de que o trabalho é urgente.

Dei-me ao trabalho de ver o longo e pirosíssimo filme anti-tabagista dirigido às mulheres. Acho que não há uma única década (do século XX!) em que não fosse uma porcaria tendenciosa e estereotipada. Isto será verdade até ao dia em que se conseguir imaginar um filme dirigido aos homens em que o pai tem cancro e o filho é um príncipe e a mensagem é “ó homem, em vez de fumar porque é que não preferiste amar o teu filhinho?”

Os autores do filme – que não nasceram nos anos 40 nem nada – “ficaram estupefactos com a acusação sobre estereótipos de género”, conta o PÚBLICO. Perguntou o realizador do filme “Desde quando se tornou ofensivo dizer, numa festa ou num jantar, Olá, princesa, estás tão bonita'?”

Assim fica mais ofensivo ainda, não fica? Estava a faltar o “estás tão bonita” para acertar em cheio.

Quantas vezes se diz a um menino “Olá, príncipe, estás tão bonito”? Pois é. O mal de chamar princesas às meninas é precisamente o facto de estar tão generalizado. Quase toda a gente diz. É por isso é que existe a CIG, para nos emendar a mão. É uma educação que não tivemos. Continuar a chamar princesas às meninas é uma maneira de consolidar a desigualdade e de garantir que morremos estúpidos. Quem é que pode ser contra a igualdade do género? De facto, só os princeses portugueses.

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