Vinho português do ano é um Touriga da Quinta do Crasto

Douro conquista sete prémios “grande ouro”, o Dão seis, o Alentejo cinco, o Tejo quatro, os Verdes três e Trás-os-Montes outros três.

Fachada, Sítio Arqueológico
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PAULO RICCA / PUBLICO

O Quinta do Crasto Touriga Nacional de 2015 foi eleito “melhor vinho do ano” no concurso Vinhos de Portugal 2018, organizado pela ViniPortugal. O vinho eleito por um júri que avaliou 1307 vinhos de 307 empresas de todas as regiões do país ajusta-se desta vez à estratégia de promoção internacional dos vinhos portugueses, que há anos designou a casta Touriga Nacional como o trunfo que confirma a originalidade da produção nacional. O Douro foi a região que mais prémios arrecadou: para lá do vinho do ano, obteve sete grandes ouros (mais três nas categorias dos vinhos licorosos), logo seguido pelo Dão com seis e pelo Alentejo com cinco.

Vendido nas garrafeiras portuguesas a um preço que ronda os 55 euros, o Touriga Nacional do Crasto teve se passar duas etapas de um apertado processo de avaliação. Num primeiro momento, todos os vinhos foram sujeitos a uma prova cega por painéis constituídos por enólogos, jornalistas e sommeliers nacionais e estrangeiros. Feita a primeira triagem, de onde saíram 136 medalhas de ouro e 207 de prata, entrou-se na escolha final. Nesta fase, atribuíram-se 36 prémios “grande ouro” e as distinções para os melhores vinhos do ano de diferentes categorias, entre as quais o melhor vinho do ano. Participaram na fase final da escolha dos grande ouro, dos melhores por categoria e do vencedor absoluto John Szabo, Master Sommelier do Canadá, Evan Goldstein  dos EUA, Dirceu Vianna Junior, o único Master of Wine de língua portuguesa, do Brasil, Andrés Rosberg, presidente da ASI (International Sommelier Association), Luís Lopes, jornalista, director da revista Vinho Grandes Escolhas e presidente do concurso, e Bento Amaral em representação de Portugal.

Como prova da melhoria generalizada da qualidade dos vinhos portugueses, houve vários prémios grande ouro atribuídos a regiões consideradas emergentes, como Trás-os-Montes (três) e Algarve (um). O melhor espumante é da Beira Atlântico, o melhor branco foi o Private Selection do Esporão (Alentejo), o tinto eleito foi um Passadouro Reserva de 2015, do Douro, o varietal (de uma só casta) branco foi repartido por dois Alvarinhos (da Aveleda e o Deu la Deu Premium), o branco especial escolhido foi um Colheita Tardia da Falcoaria (Tejo), e o varietal tinto foi de novo o Quinta do Crasto Touriga Nacional.

Para o presidente da ViniPortugal, Jorge Monteiro, o objectivo do concurso é ”levar os produtores nacionais a apostarem na melhoria contínua da qualidade e da diferenciação dos seus vinhos, incentivá-los a reforçar a aposta na comunicação e na capacidade de negociação e continuar a elevar a notoriedade dos vinhos portugueses junto de influenciadores e decisores estrangeiros que se deslocam até ao nosso país”. Na cerimónia de entrega dos prémios, que decorreu esta sexta-feira em Lisboa, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, considerou o vinho como uma prova acabada da excelência e da competitividade internacional da produção agrícola portuguesa.