Portugal continua em alta, mas o futuro é da China

Durante três dias, 330 jurados provaram 9180 vinhos de todo o mundo, na primeira vez em 25 anos que o Concurso Mundial de Bruxelas saiu da Europa.

Bobby YP/ Reuters
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Bobby YP/ Reuters

Foi a primeira vez que o Concurso Mundial de Bruxelas (CMB) saiu da Europa em 25 anos de existência. Na semana passada, durante três dias, 330 jurados de todos os continentes (jornalistas, compradores, enólogos e sommeliers) reuniram-se no distrito de Haidian, em Pequim, para provar 9180 vinhos de todo o mundo. Foi um dos maiores concursos de vinhos alguma vez realizados.

À semelhança das últimas edições, Portugal voltou a ser um dos países que mais amostras enviaram a Pequim: 1062. E é provável que volte a ser também um dos países mais medalhados. Em 2017, em Valladolid, foi o quarto, com 368 medalhas, logo a seguir à França, Espanha e Itália, que também concorreram com mais vinhos. Os resultados deverão ser anunciados nos próximos dias.

As medalhas que se ganham nestes concursos devem ser sempre relativizadas, porque correspondem apenas à opinião de um painel formado por cinco ou seis jurados. Mas podem ser muito importantes para os produtores premiados, porque há mercados que ainda as valorizam bastante, como é o caso da China, por exemplo. Tanto assim é que a empresa que gere o CMB estabeleceu um protocolo com quatro cadeias de supermercados chinesas para promover os vinhos medalhados. No entanto, o mais relevante destes concursos é o contributo que podem ter no reforço da notoriedade e do prestígio de um país. Nesse aspecto, Portugal tem ganho muito com o Concurso Mundial de Bruxelas, que é um dos mais renomados e influentes do sector (é o único que viaja pelo mundo e é também o único que realiza testes de qualidade aos vinhos medalhados). Apesar de ainda haver produtores que insistem em enviar os seus piores vinhos, na esperança de obterem uma medalha que facilite a sua venda, é evidente a crescente boa impressão que a maioria dos jurados estrangeiros tem dos vinhos portugueses. E a opinião de muitos deles, alguns dos quais são masters of wine ou jornalistas influentes, é tida em bastante conta nos respectivos países.

A grande surpresa deste ano foi a China. Depois de ter começado a sua participação neste concurso em 2006 com apenas oito vinhos, inscreveu desta vez cerca de 500 vinhos, quase o dobro das amostras enviadas no ano passado. O histórico recente da China no CMB é um espelho do crescimento do país no negócio mundial vinho, onde já ocupa um papel de destaque. Além de não parar de crescer em área de vinho, tem vindo de forma surpreendente a posicionar os seus vinhos num segmento cada vez mais elevado. Em Valladolid, foi mesmo o país que mais vinhos inscreveu na faixa dos 35 a 50 dólares. No total, na edição do ano passado, a China obteve quatro grandes medalhas de ouro, 33 medalhas de ouro e 41 medalhas de prata.

Mais: este ano houve um aumento de quase 60% no número de vinhos orgânicos e biodinâmicos a concurso e um dos países que mais contribuíram para esse aumento também foi a China. Um terço dos vinhos que enviou são orgânicos. Como sublinhava Baudouin Havaux, o presidente do CMB, na cerimónia de abertura, a China já desempenha um papel fundamental no mercado global de vinhos e “está posicionada para desempenhar um papel ainda maior” no futuro. É só uma questão de tempo.

No próximo ano, o Concurso Mundial de Bruxelas volta à Europa, desta vez a Aigle, na Suíça. A sua primeira internacionalização, recorde-se, deu-se em Lisboa, em 2006. O concurso voltou a realizar-se em Portugal em 2012, em Guimarães.