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Sara Almeida e Cátia Lopo são psicólogas clínicas e criadoras da Escola do Sentir

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Os pais te^m sempre um “dedinho que adivinha”

Este "dedinho que adivinha" e´ assim uma espe´cie de entidade superior que vive dentro do corac¸a~o dos pais e que nos descansa. Mas, por vezes, torna-os um bocadinho sufocantes

E´ invaria´vel, por muito que os filhos tentem esconder a jarra partida, a la´grima no canto do olho, uma negativa ou ate´ as borboletas na barriga do primeiro amor, os pais te^m sempre um sexto sentido apuradíssimo, que ta~o carinhosamente apelidam de "o dedinho que adivinha", que consegue descobrir ate´ um tesouro mais bem escondido dentro do corac¸a~o dos filhos.

  

Este "dedinho que adivinha" e´ assim uma espe´cie de entidade superior que vive dentro do corac¸a~o dos pais e que nos descansa, pois, na~o fosse este dedinho, e todos os filhos se sentiriam assim um bocadinho mais sozinhos, um bocadinho mais abandonados.


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Esta capacidade que os pais te^m de adivinhar o que vai dentro dos filhos, por muito que eles protestem com este lado acutilante das ma~es, traz a todos os filhos uma certa sensac¸a~o de seguranc¸a, de bem-estar e faz com que estes filhos parem e pensem qualquer coisa como: “Os meus pais, na~o so´ gostam muito de mim, como conseguem adivinhar sempre o que se passa ca´ dentro de mim.” Isto, se equilibrado com o respeito pelo espac¸o de cada filho, e´ assim uma forma de securizar, de proteger e de criar uma ponte de cumplicidade com os filhos, como quem, ao mesmo tempo que da´ espac¸o, esta´ sempre la´ para amparar qualquer dificuldade, mesmo que um filho na~o seja capaz de a revelar.


A u´nica coisa que nos preocupa nos "dedinhos que adivinham" e´ que, por terem uma sensibilidade fora do vulgar em tudo o que acontece aos filhos, estes pais, por vezes na a^nsia de acalmar tudo, resvalam para um lado um bocadinho sufocante. Como se, a todo o momento, a todo o instante, eles devessem estar a par do que se passa com os filhos e fossem capazes de solucionar todos os seus problemas. É importante que, por entre a sua sensibilidade, os pais sejam capazes de dar espac¸o aos filhos. Que, mesmo sabendo exactamente como se soluciona uma ou outra situac¸a~o, sejam capazes de deixar que sejam os filhos a solucionar as situac¸o~es. Que saibam ficar numa espe´cie apoio de retaguarda, deixando ser os filhos a ir a jogo, a tentar, a arriscar e a conseguir!


Assim, de “dedinho que adivinha” em “dedinho que adivinha”, temos pais cada vez melhores, temos filhos cada vez mais seguros, mais tranquilos e mais felizes. Temos a certeza que, na~o fosse o “dedinho que adivinha”, e todos nos sentiri´amos mais incompreendidos. Por isso mesmo, todas os pais com um “dedinho que adivinha” deviam ser distinguidos com medalha de me´rito, pois, ao mesmo tempo que impulsionam os filhos para os seus desafios, colocam uma almofadinha em todas as suas quedas.