O mundo divide-se entre quem dança e quem fica a olhar

Em geral, em Portugal, parece dançar-se pouco. Gostamos de ir a festas, mas para ver o ambiente. Não nos envolvemos. O corpo não mente. Talvez por isso tenhamos receio sobre o que ele pode dizer acerca de nós próprios. É comum ouvir-se dizer que a dança e a música induzem à alienação. E no entanto dançar é actividade, convida à interacção em lugares públicos, é um dos últimos vestígios de um tempo onde se participava em festividades comunitárias. De uma só vez, potencia a liberalização individual, convida à transcendência e é expressão de sociabilidade. O mundo divide-se entre quem dança e quem fica a olhar.

Este é o 17º Catinga, programa semanal, de Nástio Mosquito e Vítor Belanciano, onde público e privado, sociedade e política, arte e vida, zanga e alegria fazem parte da mesma realidade que é possível tentar apreender por inteiro, pensando nela em voz alta. Catinga é isso. Uma hipótese de transfigurar a realidade através das conversas.

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Créditos:

PÚBLICO -
Foto

Jingle – Apache

Fotografia – Tiago Maya (www.tiagomaya.com)