Opinião

Fim ao bloqueio dos EUA contra Cuba

O fim do bloqueio dos EUA contra Cuba, e o respeito da sua integridade territorial, com o fim da base militar norte-americana de Guantánamo, colocam-se como uma exigência a todos quantos pugnam pela paz e a cooperação.

Quase 60 anos após o derrube da brutal e subserviente ditadura de Fulgêncio Batista, a Revolução cubana dá provas de uma notável vitalidade e determinação. As recentes eleições para a Assembleia Nacional e Assembleias Provinciais do Poder Popular aí o estão a comprovar, com a elevada consciência que o povo cubano demonstrou, protagonizando um processo com uma ampla participação popular e profundamente democrático para a escolha dos seus representantes.

A Revolução cubana, as suas impressionantes e históricas conquistas, não são obra de um homem só. Não se trata de desvalorizar o excepcional contributo de Fidel Castro e da geração de revolucionários que o acompanhou desde da Sierra Maestra, como Raul Castro, mas sem a imensa vontade, coragem e participação do povo cubano a Revolução não teria ultrapassado todos os obstáculos e golpes que contra ela foram desferidos, incluindo a invasão militar ou o bloqueio imposto pelos EUA.

É a partir da mobilização de todo um povo, estreitamente identificado com a sua liderança, que a Revolução cubana se lançou, desde de 2011, no enorme desafio da actualização do seu modelo económico e social, salvaguardando os direitos alcançados e enfrentando novos problemas e dificuldades, como as colocadas pelo bloqueio económico, comercial e financeiro que os EUA, desde 1962, promovem contra Cuba, com incalculáveis custos.

Trata-se de um criminoso bloqueio que, pelo seu carácter extra-territorial, não só é dirigido contra o povo cubano, como pretende impedir, sob a ameaça de sanções, que outros desenvolvam normais relações de âmbito económico com este país das Caraíbas – são na ordem dos milhares de milhões as multas aplicadas pelos EUA contra entidades de países terceiros. Um bloqueio que é expressão da famigerada “doutrina Monroe” e que a Administração Trump procura agravar como forma de punir um povo que afirma o seu direito a decidir soberanamente o seu futuro e que tem sido um exemplo de firmeza e solidariedade, não só para os povos da América Latina e Caraíbas, como para todo o mundo.

Para aqueles que têm dúvidas quanto ao caminho do povo cubano, Cuba afirma que não esperem que faça concessões quanto à sua soberania e independência, quanto ao seu inalienável direito a escolher o seu sistema político, económico e social, quanto à sua Revolução e ao seu carácter socialista.

O fim do bloqueio dos EUA contra Cuba, e o respeito da sua integridade territorial, com o fim da base militar norte-americana de Guantánamo, colocam-se como uma exigência a todos quantos pugnam pela paz e a cooperação.