Médicos vestem-se de preto em protesto contra “discurso cor-de-rosa” do Governo

Profissionais de saúde querem mostrar que estão de "luto pela agonia do SNS". A partir de agora, vão vestir-se de preto todas as sextas-feiras.

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Rui Gaudêncio

Contra “o discurso cor-de-rosa” do Governo e em protesto pela falta de condições no Serviço Nacional de Saúde (SNS), um grupo informal de médicos de Lisboa passou a ir trabalhar de preto todas as últimas sextas-feiras de cada mês. Querem, explicam, mostrar aos doentes que estão "de luto pela agonia do SNS".

A original forma de protesto arrancou há dois meses mas a adesão foi de tal ordem que os organizadores decidiram, a partir de agora, alargá-lo a todas as sextas-feiras do mês e até já conquistaram o bastonário da Ordem dos Médicos para este movimento que visa dar a conhecer “o lado negro e menos conhecido do SNS".

Intitulada #SNSinBlack (SNS de negro), a iniciativa é liderada pelo pneumologista Filipe Froes (Hospital Pulido Valente) e pela especialista em Medicina Interna, Ana Paiva Nunes (Hospital de S. José) e, segundo o médico, está a ter “uma adesão de tal forma brutal” que foi necessário mandar fazer mais mil crachás com o símbolo do movimento porque os primeiros 200 não chegaram para as encomendas. Tudo para para responder às solicitações de quem "não tem roupa preta que chegue para vestir todas as sextas-feiras" mas não quer deixar de protestar, explica.

PÚBLICO -
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Imagem retirada da página do Facebook "SNS: o lado B"

“Já há muita gente a usar o crachá. Nunca houve tanta contestação ao ministro da Saúde, que tem um discurso irrealista e demagógico”, critica o pneumologista, que recorda que foi justamente para contrariar a tendência de se passar para a população apenas “a imagem do lado A do SNS” que, em Fevereiro passado, foi criado um grupo no Facebook intitulado “SNS: o lado B”, o menos conhecido.

Este é “um espaço de cidadania” contra “a falta de vergonha e os discursos bem articulados mas vazios”, proclamam os criadores deste grupo no Facebook. "Os profissionais de saúde estão cansados das manobras de marketing dos responsáveis que parecem viver no planeta Office, quando quem trabalha no terreno e quem olha para as notícias sabe que está tudo em ruptura no SNS”, acrescenta o médico.

Quem já tem um crachá para usar nestas sextas-feiras negras é o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, que classificou este movimento como "louvável" à TSF. "Os profissionais de saúde têm a imagem real" da situação e sofrem com a "pressão exagerada que existe por parte do Governo para se produzirem cada vez mais números sem as devidas condições de trabalho", justificou.