Federação do PS-Braga acusada de atrasar pedido de impugnação

Recurso para a Comissão Nacional de Jurisdição retido em Braga. A tomada de posse dos novos órgãos eleitos está marcada para esta sexta-feira.

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nelson garrido

A Comissão de Jurisdição da Federação de Braga do PS chumbou o pedido de impugnação apresentado pelo militante Jorge Faria. O órgão presidido por Ana Paula Morais justifica a recusa com o “regimento próprio do Congresso Federativo”, e diz que as deliberações da mesa do congresso “só podem ser impugnadas por recurso para o plenário”.

Na reunião magna da distrital de Braga a mesa excluiu uma das listas candidatas aos órgãos dirigentes por falta de um suplente na lista. O cabeça de lista da candidatura excluída, Jorge Faria, diz que não foi dado tempo, como determinam os estatutos, para a correcção do problema.

O recurso para a comissão nacional já foi pedido, mas os estatutos do partido determinam que este tem de ser entregue na federação correspondente e esta “tem atrasado deliberadamente o processo”, acusa Jorge Faria. O recurso devia ter sido considerado urgente e seguido para Lisboa num prazo não superior a 48 horas, algo que segundo o impugnante não aconteceu.

Jorge Faria diz que este processo está cheio de “manobras dilatórias” e que a Federação de Braga está a “fazer de tampão” para “ganhar tempo”, quando já esta sexta-feira tomam posse os novos órgãos eleitos, com Joaquim Barreto, que teve 90% nas primárias, de novo na liderança da distrital. Os militantes que impugnaram o congresso dizem que todo este processo se deve ao “medo” de que da eleição saísse um resultado que “obrigaria a mexer” na lista de deputados do distrito, alegadamente já acordada para as próximas legislativas.

Do lado de Jorge Faria está António Magalhães, próximo de António Costa e “dinossauro autárquico” de Guimarães. Ao PÚBLICO, Magalhães diz que a “democracia na Federação de Braga não existe” e que “o que se passou no congresso não dignificou em nada o PS”. Assegura ainda que, “se o partido a nível nacional tivesse o mesmo comportamento que a distrital de Braga, entregava o cartão de militante”.

António Magalhães diz-se “revoltado” com o rumo actual do PS em Braga depois de “um resultado desastroso nas autárquicas” – o PS perdeu três câmaras e vários vereadores no distrito - e diz que “Ana Catarina Mendes tem de assumir responsabilidades”, se nada for feito.

O PÚBLICO tentou contactar a presidente da Comissão de Jurisdição da Federação de Braga do PS para saber por que razão não tinha seguido ainda o pedido de impugnação para Lisboa, mas a mesma não respondeu em tempo útil à questão. Foi apenas enviado um email genericamente assinado pela Comissão Federativa de Jurisdição, com um parágrafo no qual a comissão garante estarem “a ser respeitados, de forma rigorosa, todos os prazos e formalidades previstos nos estatutos do Partido Socialista e nos demais regulamentos internos”, sem esclarecer em que estado está o processo.