Raul Almeida recusa ser deputado no CDS por não ter “condições políticas”

Assunção Cristas não falou com o democrata-cristão que iria substituir Filipe Lobo d’Ávila

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Raul Almeida, à direita, nos tempos em que foi deputado
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Filipe Lobo D'Ávila já deixou Parlamento Rui Gaudencio
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João Gonçalves Pereira é o sucessor de Lobo D'Ávila Enric Vives-Rubio

Raul Almeida, crítico da liderança de Assunção Cristas, não aceitou ir para o Parlamento em substituição de Filipe Lobo d’Ávila por considerar que não tem condições políticas. O nome que se segue na lista é o de Orísia Roque, que também não aceitou. Quem irá assumir o mandato é o nome seguinte – João Gonçalves Pereira, vereador em Lisboa, apurou o PÚBLICO.

“Não vou porque não há razão nenhuma para que as condições que o Filipe Lobo d’Ávila não teve eu as tivesse em termos de liberdade”, afirmou ao PÚBLICO Raul Almeida, que é o porta-voz da lista alternativa à da direcção do CDS ao Conselho Nacional e que, por duas vezes, foi liderada por Filipe Lobo d’ Ávila em congresso.  

Raul Almeida, que já foi deputado, elogia o líder parlamentar Nuno Magalhães – “o processo correu muito bem e foi tratado com lisura” – mas considera que isso “não é suficiente” para aceitar integrar a bancada do CDS que é “um dos meios da direcção política do partido”.

Já a líder do CDS não o contactou até agora. “Não me surpreende a cordialidade do Nuno Magalhães neste processo como não me surpreende o silêncio absoluto de Assunção Cristas”, afirmou o ex-deputado, referindo que “não tem nenhum impedimento do ponto de vista pessoal” para aceitar o mandato de deputado.

Raul Almeida sublinha que a sua posição deve ser vista como um exemplo. “Nem todas as pessoas que estão na política estão ansiosas para exercer cargos. Não somos todos iguais”, disse. Mas isso – ressalvou – não significa uma indisponibilidade eterna. “Significa estar na política a longo prazo quando houver condições políticas estarei disponível para voltar ao Parlamento, onde gostei muito de estar”, afirmou.

Filipe Lobo d’Ávila fez esta quarta-feira a sua intervenção de despedida em plenário, depois de ter anunciado que renunciaria ao mandato no último congresso a 10 e 11 de Março passado. Nesse discurso, o ex-secretário de Estado da Administração Interna denunciou “práticas surreais internas” e exigiu um projecto político ao CDS.