Venezuela condena sanções dos EUA contra criptomoeda

O Presidente dos EUA, Donald Trump, proibiu as empresas e os cidadãos norte-americanos de usarem qualquer tipo de moeda digital emitida pelo Governo venezuelano. Nicolás Maduro acusa os EUA de uma tentativa de "nova colonização".

Nicolas Maduro acusa Trump de querer provocar o caos económico no país
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Nicolás Maduro acusa Trump de querer provocar o caos económico no país Reuters/Marco Bello

O Governo da Venezuela condenou na segunda-feira "veementemente" a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de proibir operações com o Petro, a criptomoeda venezuelana, e acusou os EUA de quererem provocar o caos económico no país. "O Presidente Nicolás Maduro, em nome do Governo e do heróico povo venezuelano, rejeita e condena veementemente as pretendidas novas sanções unilaterais do regime de Donald Trump contra o povo venezuelano e o nosso sistema financeiro e económico", segundo um comunicado divulgado em Caracas.

No documento, o Governo venezuelano denuncia "a execução de uma nova conspiração contra a pátria de Bolívar pelo regime supremacista dos Estados Unidos, cujo objectivo é intensificar as ameaças já repetidas contra o povo [venezuelano], e pretender, com a sua ingerência, submeter a uma nova colonização". O Governo venezuelano considera que as sanções "violam a Carta da ONU e os princípios mais elementares do direito internacional que regem as relações civilizadas entre Estados soberanos".

"Constituem uma nova agressão imperial orientada para intensificar o ataque contra o povo, pretendendo, pela via do bloqueio comercial, da perseguição financeira e do boicote económico, provocar o caos na nossa economia e assim quebrar a vontade do nosso povo", refere. Segundo o Governo venezuelano, com as sanções, a administração de Donald Trump "comete um crime que lesa a humanidade e que pode ser denunciado no Tribunal Penal Internacional como uma violação do Estatuto de Roma".

"A Venezuela deu um tremendo salto para o futuro ao lançar um mecanismo económico, revolucionário, como o Petro, apoiado por mais de cinco mil milhões de barris de petróleo, o que permitirá que o país quebre as amarras do dólar e abra as portas para a realização firme da prosperidade do nosso sistema económico e produtivo", afirma. O comunicado refere ainda que "o Governo da Venezuela, apesar desta nova e grosseira intromissão, ratifica perante a comunidade internacional e outros sectores da económica global a sua firme, absoluta e soberana decisão de continuar a promover a tecnologia 'Blockchain' e fazer do Petro uma das criptomoedas mais sólidas e confiáveis do mundo".

O Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou segunda-feira uma ordem executiva que proíbe as empresas e os cidadãos norte-americanos ou estrangeiros radicados no país de realizarem transacções em qualquer tipo de moeda digital emitida pelo seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro. "Proíbem-se todas as transacções relacionadas com a provisão de financiamento e outras negociações, a pessoas dos Estados Unidos ou dentro dos EUA, com qualquer moeda digital que tenha sido emitida por, para ou em nome do Governo da Venezuela, a partir de 9 de Janeiro de 2018", lê-se na ordem executiva.