Greve de professores fecha mais de 100 escolas na região Centro

Mário Nogueira acusa ministro da Educação de ter "discurso chantagista" e aconselha-o a não ir por aí.

O líder da Fenprof promete manifestação que fará lembrar "outros tempos"
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O líder da Fenprof promete manifestação que fará lembrar "outros tempos" Nuno Ferreira Santos

Ao final da manhã desta quinta-feira, terceiro de quatro dias de greves regionais de docentes, 153 escolas estavam encerradas na região Centro devido a esta paralisação, segundo dados divulgados pela Federação Nacional de Professores (Fenprof).

A greve foi convocada por 10 organizações sindicais de professores em protesto contra a decisão do Governo de apenas contabilizar, para efeitos de progressão, pouco mais de dois anos dos nove do tempo serviço prestado pelos docentes nos dois períodos em que as carreiras estiveram congeladas (de 2005 a 2007 e de 2011 a 2017).

Num comunicado assinado pelas 10 organizações sindicais, divulgado na tarde desta quinta-feira, diz-se que a adesão à paralisação na região Centro superou os 70%.

A greve iniciou-se nesta terça-feira nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal, tendo registado então uma adesão entre os 60 e 70%, segundo adiantaram os sindicatos, que admitiram a existência de vários “constrangimentos” por parte dos professores. “Não conseguiram alterar a data de testes decisivos para os alunos ou adiar visitas há muito programadas”, exemplificaram.

Avisos ao ministro

Falando aos jornalistas em Coimbra, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, acusou o ministro da Educação de ter um “discurso chantagista” quando afirmou, nesta quarta-feira, que a reivindicação dos professores, a concretizar-se, “poria em causa o descongelamento da carreira dos outros funcionários públicos”. “Não deve o ministro ir pelo caminho do isolamento dos professores, tentando colocar contra estes os outros trabalhadores ou mesmo a opinião pública. Esse é erro antigo, usual no tempo da outra senhora que, por coincidência, também tinha Rodrigues de apelido. Deu-se mal. Os professores repudiaram aquela forma de governar e fizeram-no saber na rua”, frisou a Fenprof numa nota divulgada durante esta tarde.

Já na quarta-feira Mário Nogueira tinha feito uma alusão à ex-ministra socialista da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a propósito da manifestação nacional que os sindicatos já estão a preparar para o 3.º período de aulas e que “fará lembrar outros tempos”, disse numa referência à manifestação de 2008 que juntou mais de 100 mil docentes em protesto contra a então ministra.

Os sindicatos têm sublinhado que os docentes “foram penalizados com cortes salariais e congelamento de tempo de serviço, como os demais trabalhadores da Administração Pública, e não admitem que, no momento da recuperação desse tempo de serviço, não lhes seja dado tratamento semelhante ao de outros trabalhadores”.

Nas carreiras gerais da Administração Pública serão contabilizados os sete anos de tempo de serviço prestado durante o congelamento, o que não acontecerá com os docentes. O Governo tem insistido que esta é a forma de garantir a “equidade” na função pública. Mais concretamente, especifica: “Nas carreiras gerais, um módulo padrão de progressão corresponde a 10 anos. Na carreira docente, o módulo padrão é de 4 anos. Assim, os 7 anos de congelamento, que correspondem a 70% do módulo de uma carreira geral, traduzem-se em 70% de 4 anos na carreira docente, ou seja, 2 anos, 9 meses e 18 dias."