Santa Casa vai gastar 12 milhões na requalificação de 21 centros de dia

Recuperação dos espaços deverá estar concluída em 2026. Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quer que estes centros sejam abertos à comunidade e que promovam o convívio entre gerações.

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Em 2016, cerca de 143 mil residentes na capital tinham mais de 65 anos Nuno Ferreira Santos

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai requalificar 21 centros de dia até 2026 para que se transformem em espaços intergeracionais, combinando centros para idosos e creches, promovendo assim a integração entre gerações.

Segundo estima a Santa Casa, o Projecto Interage, assim se chama este programa, vai beneficiar mais de 1600 utentes e vai envolver um investimento de 12 milhões de euros. O projecto, que vai ser apresentado esta sexta-feira, enquadra-se no Programa “Lisboa. Cidade de Todas as Idades”, lançado no início de Fevereiro, e dá continuidade à Agenda Estratégica do Plano Desenvolvimento Social da Rede Social de Lisboa (2017-2020). É um projecto conjunto entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Santa Casa, no qual a autarquia pretende investir 100 milhões de euros e a SCML entre 30 a 40 milhões, e que assenta em três eixos: vida activa, vida apoiada e vida autónoma, onde se integra o InterAge.

O envelhecimento da população, fruto da conjugação da baixa taxa de natalidade e do aumento da esperança de vida em Portugal, não é novidade. Segundo dados do INE, de 2016, cerca de 28% da população da capital tinha mais de 65 anos. Em 2011, estimava a autarquia, aproximadamente 85 mil das 130 mil pessoas com mais de 65 anos no concelho, enfrentavam o problema da solidão. 

A cidade, que é hoje uma das capitais mais envelhecidas da União Europeia, apresenta um rácio de 100 crianças para cada 186 idosos e prevê-se que em 2050 Portugal seja o terceiro país mais envelhecido do mundo.

Os 21 centros da SCML correspondem a cerca de 1/3 da resposta que existe em Lisboa. A requalificação visa a recuperação das infra-estruturas, mas também a reformulação de actividades, a dinamização de serviços, o alargamento do horário de funcionamento dos centros, das 9h às 21h (hoje grande parte fecha às 18h), de modo a que "a resposta [da SCML] se adeque às necessidades das famílias", de modo a "promover a autonomia, combater a solidão e retardar a institucionalização", explicou Etelvina Ferreira, directora da Unidade de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A requalificação dos centros será realizada, por fases, até 2026. Iniciou-se em 2017, com a intervenção em cinco centros de dia: Centro Social São Boaventura, Centro de Dia Rainha D. Maria I, Centro de Dia Nossa Senhora dos Anjos, Centro Social Comunitário do Bairro da Flamenga, Centro de Desenvolvimento Comunitário de Telheiras.

Neste eixo em concreto - o da vida autónoma -, mais três medidas são da responsabilidade da Santa Casa: o serviço de teleassistência, serviço de apoio ao cuidador informal e o serviço de apoio domiciliário. 

As intervenções vão contemplar ainda obras de conservação, a melhoria das acessibilidades e adequação das instalações sanitárias a pessoas com mobilidade reduzida, cozinha para confecção própria, adequação dos espaços exteriores (pisos antiderrapantes e nivelados) e a instalação de hortas verticais. Na requalificação do edificado, sublinha a Santa Casa, “haverá sempre a preocupação de respeitar a história e arquitectura de cada espaço”.

Para isso, além da recuperação destes centros, está prevista a construção de oito equipamentos de estrutura residencial e cuidados continuados, até 2026, nas freguesias de Alcântara, Alvalade, Avenidas Novas, Benfica, Campolide, Marvila, Santa Clara e São Domingos de Benfica). Segundo o que foi anunciado, cada um terá uma capacidade para 1000 vagas e serviços que visam “complementar o sistema nacional de saúde”, evitando assim a deslocação da população idosa aos hospitais.

Os terrenos serão cedidos pela câmara à SCML e a construção ficará também a cargo da autarquia, sendo que a gestão do espaço será feita em conjunto.