Centros de empregos vão ter “gestores de carreira” para pessoas sem-abrigo

Haverá duas novas figuras nos centros de empregos: “Uma espécie de pivô” da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo e um gestor de carreira que será a figura de referência a quem os beneficiários se podem dirigir quando procuram soluções de emprego ou formação profissional.

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Mais de 200 as pessoas em situação de sem-abrigo que estão inscritas em centros de emprego e formação profissional adriano miranda
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Miguel Cabrita, secretário de Estado do Emprego, anunciou hoje que "muito em breve” os centros de emprego passarão a ter “gestores de carreira” dedicados a casos “socialmente complexos”, entre os quais pessoas sem-abrigo fernando veludo

São mais de 200 as pessoas em situação de sem-abrigo que estão inscritas em centros de emprego e formação profissional. Em 2015, eram cerca de 140, segundo dados avançados nesta terça-feira pelo secretário de Estado do Emprego, que considera que os números de registo actuais ainda não são suficientes. À margem do primeiro encontro nacional dos Núcleos de Planeamento e Intervenção Sem-abrigo (NPISA) do país, Miguel Cabrita fez ainda saber que, “muito em breve”, estes centros passarão a ter “gestores de carreira” dedicados a casos específicos e “socialmente complexos”, entre os quais pessoas sem-abrigo.

Haverá duas novas figuras nos centros de empregos, detalhou: “Uma espécie de pivô” da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (2017-2023), que irá “receber estes casos e acompanhar pessoas que estão sinalizadas como sem-abrigo”, e este gestor de carreira que “garantirá que estes beneficiários tenham alguém a que se possam dirigir” quando procuram soluções de emprego ou formação profissional.

A figura do “pivô para públicos mais difíceis" passará também a existir nos centros de formação para adultos Qualifica, destacou.

Para o governante, estas medidas criam condições para a “construção de um plano pessoal de emprego – de caminho e intervenção” que vá além de programas a curto prazo, que são aqueles que, pela experiência dos serviços, reúnem maior sucesso junto desta população. E surgem da ideia defendida pela secretaria de Estado de que a “activação” e aproximação das pessoas sem-abrigo do mercado de trabalho não deve “partir de uma ideia mera de auto-responsabilização”, mas também dos serviços públicos e da sociedade civil.

Miguel Cabrita destacou ainda que “já está a ser feito um caminho em estreita articulação com núcleos locais e diferentes entidades”, que permitiu hoje ter “uma maior capacidade de sinalização e inscrição nos centros de emprego”, justificando o aumento de 140 para “mais de 200 pessoas” inscritas desde 2015. “Um progresso claro na capacidade de referenciação”, destacou o governante, que, no entanto, considera ainda não ser “suficiente”, pois “há um universo maior que pode ser reencaminhado”.

Na área do emprego, a estratégia nacional define como objectivo, até 2023, garantir respostas de emprego e formação profissional adequadas ao perfil das pessoas em causa. Esta personalização foi aliás destacada pelos governantes das áreas do emprego, habitação, saúde e segurança social, presentes numa mesa redonda no evento que decorre na Culturgest, em Lisboa, como forma de intervir com sucesso junto de uma “população tão complexa e diversa”.

Para Miguel Cabrita é claro que “não basta encontrar uma resposta para as pessoas, é preciso garantir que depois há capacidade para agarrar [as pessoas às oportunidades que proporcionamos], e que não se transformam que em mais uma experiência mal sucedida que de alguma forma pode servir também como desincentivo para que as pessoas prossigam o seu projecto de intervenção”.