Polícia do Irão prende 29 mulheres que recusam o véu islâmico

Em Dezembro, uma mulher subiu a uma caixa de electricidade retirando o seu hijab e por isso passou um mês na prisão. O seu protesto teve réplicas em várias zonas do país.

O Procurador-Geral da República do Irão tem tentado repetidamente desvalorizar os protestos
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O Procurador-Geral da República do Irão tem tentado repetidamente desvalorizar os protestos Miguel Manso

A polícia iraniana prendeu 29 mulheres que protestavam em Teerão, de cabeça destapada, contra a imposição de usar em público o véu islâmico, em vigor desde a revolução de 1979, anunciou nesta sexta-feira a imprensa local.

"A polícia prendeu 29 pessoas que perturbavam a ordem social e entregou-as à justiça", revelou em comunicado a polícia da capital do Irão, sem acrescentar mais pormenores.

Nos últimos dias têm sido publicadas nas redes sociais fotografias de mulheres de cabeça destapada, em Teerão e noutras cidades. As mulheres retiram o véu (chador ou hiyab) que cobre o seu cabelo colocam-no num pau, agitando-o como uma bandeira, em sinal de desafio.

A lei em vigor desde a revolução islâmica de 1979 impõe às mulheres o uso do véu e de vestidos que escondam as formas do corpo.

O zelo da polícia iraniana em fazer cumprir esta lei tem vindo a diminuir à medida que aumentam os protestos contra o uso dos véus islâmicos. Em Dezembro, uma jovem iraniana foi presa por de se ter desnudado na rua como forma de protesto contra a imposição do véu, tendo sido libertada dias depois.

O Procurador-Geral da República do Irão, Mohammad Jafar Montazeri, tem tentado repetidamente desvalorizar os protestos, classificando-os como "infantis". Montazeri argumenta que os protestos são um fenómeno relacionado com as redes sociais e garante que no país há mais de 80 milhões de mulheres não têm qualquer problema em usar o véu islâmico.