Cossoul fica na D. Carlos até meio do ano, depois tem de encontrar casa nova

Câmara diz já ter um espaço para "resolver temporariamente a situação", mas continua a faltar uma solução definitiva para a colectividade com 132 anos.

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A Cossoul mantém uma programação regular de teatro, música, poesia e artes visuais. Em 2017, passaram pela colectividade cerca de dez mil pessoas DR

Há quase dez anos que paira sobre a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul a ideia de que, mais cedo ou mais tarde, esta centenária colectividade vai ter abandonar as suas instalações históricas na Avenida D. Carlos I. O espectro ganhou contornos mais evidentes a meio do ano passado, quando o senhorio deu à sociedade até ao fim de 2017 para procurar nova casa. Pressionada, a Câmara Municipal de Lisboa chegou a acordo com o dono do prédio para que a Cossoul ali fique até ao fim do primeiro semestre de 2018.

O tique-taque do relógio é imparável e na Cossoul pergunta-se pelo futuro. “Estamos já há muito tempo em diálogo com o gabinete de Cultura da câmara. No entanto, até ao momento, apenas conseguimos a garantia de ficar o primeiro semestre. Não foram ainda feitos progressos significativos”, lamentou esta terça-feira Paulo Tavares, presidente da sociedade, que foi à assembleia municipal apresentar uma petição com 544 assinaturas em defesa da colectividade.

O responsável disse que a Cossoul atravessa “um dos seus períodos de maior dinamismo” e que, em 2017, passaram pelas 180 actividades da instituição cerca de dez mil pessoas. A Cossoul tem uma programação regular de teatro, música, poesia e artes visuais. Além disso, tem uma banda juvenil criada em 2016 e uma editora literária e livraria.

A Junta de Freguesia da Estrela propôs recentemente a mudança da sociedade para um espaço gerido pela junta. “Começa a desenhar-se como a única solução”, afirmou Luís Newton, o autarca, que fez um apelo de “comunhão de esforços” para uma solução definitiva. “Deve ficar claro que nós não podemos ficar a acalentar soluções temporárias ad aeternum”, acresentou.

Para já, a câmara tem precisamente uma solução temporária. “Eu já tenho identificado um espaço que poderá resolver temporariamente a situação”, informou a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, que não revelou o local e anunciou que vai marcar reunião com os responsáveis da Cossoul. O novo espaço está pronto a receber a sociedade “no segundo semestre” e funcionará apenas durante “a fase de transição” para um sítio definitivo, assegurou. 

“É uma instituição que nós acarinhamos, cuja importância reconhecemos”, disse Vaz Pinto. “Nos últimos meses temos andado a fazer uma pesquisa na cidade, inclusive noutras freguesias.” Contudo, sublinhou, a mudança de freguesia não é a sua opção preferida. Os deputados de todos os partidos manifestaram-se também a favor de manter a Cossoul na mesma zona.