Trump abre caminho à cidadania a quase dois milhões de imigrantes, mas pede contrapartidas

Proposta serve para convencer democratas e republicanos críticos, e prevê em compensação fundos para a construção do muro com o México e duras restrições relativamente a outros imigrantes.

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Reuters/DENIS BALIBOUSE

Donald Trump vai apresentar ao Congresso norte-americano um plano para a imigração que pode abrir caminho a que quase dois milhões de imigrantes indocumentados que chegaram a território norte-americano ainda em crianças possam obter cidadania. A proposta faz parte de uma negociação bipartidária sobre a imigração que tem ocorrido nos últimos meses. Com esta cedência, os republicanos pedem contrapartidas aos democratas, entre as quais um reforço no orçamento para a segurança fronteiriça – que inclui os fundos para a construção do famoso muro na fronteira com o México – e profundas restrições no que respeita à restante política imigratória.

A informação foi revelada por fontes oficiais da Casa Branca a órgãos de comunicação social norte-americanos, sendo a proposta descrita como “muito generosa”. Ao que tudo indica, Trump pretende conquistar votos no seio dos congressistas democratas com a cedência relativamente aos imigrantes que chegaram ilegalmente aos EUA quando ainda era crianças – apelidados de dreamers – e, ao mesmo tempo, não perder o apoio dos republicanos mais conservadores com o endurecimento da política relativamente aos imigrantes ilegais que entram ou que já estão em território norte-americano.

O plano desenhado por Stephen Miller, assessor para a imigração do Presidente, e John F. Kelly, chefe de gabinete de Trump, prevê que o Congresso disponibilize 25 mil milhões de dólares para construir o muro prometido por Trump na fronteira com o México e para reforçar a segurança na fronteira com o Canadá.

Além disso, as contrapartidas pedidas pela Casa Branca facilitam ainda, entre outras coisas, as detenções de imigrantes, agilizam os processos de deportação e dificultam a entrada de imigrantes com familiares directos já a viver nos EUA.

Segundo o que é noticiado, a Administração Trump pretende que a proposta seja votada no Senado já no início de Fevereiro. Para que se possa transformar em lei, o plano terá de ser também aprovado na Câmara dos Representantes. O Partido Republicano tem maioria em ambas as câmaras do Congresso, mas Trump tem tido dificuldade em fazer aprovar as suas propostas legislativas mais substanciais.

O Presidente pretende convencer alguns congressistas democratas e republicanos que são seus opositores a apoiar a proposta com a garantia de estatuto legal para 1,8 milhões de dreamers, através do qual podem conseguir emprego e, passado um período de entre dez a 12 anos, se podem tornar cidadãos efectivos. Este número ultrapassa largamente as cerca de 800 mil pessoas na mesma posição e que estavam protegidas pelo programa Deferred Action for Childhood Arrivals [Acção Diferida para as Chegadas Durante a Infância, ou DACA, na sigla original], criado por Barack Obama em 2012, e que o actual Presidente chegou a ameaçar reverter.