Editorial

O nosso regresso a Bruxelas

O PÚBLICO volta, a partir de agora, a ter uma correspondente em Bruxelas. É um compromisso nosso. Com a qualidade do jornalismo que lhe queremos entregar.

Foi uma coincidência, mas não foi um acaso de sorte. Ontem foi o primeiro dia de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo. E foi também ontem que o PÚBLICO voltou a ter uma correspondente em Bruxelas — residente, permanente. 

Passaram mais de três anos desde que perdemos esse pé no centro da Europa. E, infelizmente, não fomos os únicos: com a crise que nos atingiu a todos, nenhum dos principais jornais portugueses tem ainda o privilégio de ter dois olhos sempre por lá. As televisões sim, as rádios também. Os jornais já não* e o país perdeu muito com isso.

Chegou, portanto, a hora do regresso. Primeiro, porque a Europa é a nossa casa. É onde as decisões mais importantes se tomam. Com ela temos uma relação tensa, turbulenta, apaixonada. Como é sempre nas nossas famílias, estar lá não é uma questão de escolha, menos ainda de gosto. É de pertença. E uma necessidade: a de estar onde é preciso.

Chegou a hora de voltar, em segundo lugar, pela importância de recuperar qualidade nos jornais. E, sim, estou a falar dos jornais, em que há mais tempo e obrigação de estudar os dossiers, de olhar para os pormenores, de antecipar a discussão que acabará por chegar aqui. É por isso que voltar a Bruxelas, para o PÚBLICO, não é sequer uma opção, mas uma obrigação. Se queremos dar-lhe as notícias, explicar-lhe o contexto, pô-lo a pensar. Para fazer a diferença.

É por isso que lhe digo que só há uma coincidência entre o nosso regresso a Bruxelas e a estreia de Mário Centeno à frente do Eurogrupo: a de não termos adivinhado que teríamos um português num posto tão decisivo da Europa, precisamente quando a Rita Siza chega lá. 

Nos próximos tempos, ela terá esse privilégio. E muitas coisas para nos contar, de perto — sobre a reforma da zona euro, a conclusão da união bancária; sobre a saída do Reino Unido; sobre o que vai acontecer aos nossos impostos, ou para onde vão os fundos de coesão. O PÚBLICO estará de olhos bem abertos em Bruxelas, também porque os nossos ministros estão lá, a cada reunião, e não basta perguntar-lhes de microfone em riste sobre a última polémica que estourou em Lisboa — é preciso saber o que andam a fazer por lá.

O nosso regresso a Bruxelas é, por isso, um compromisso. Um compromisso com a qualidade do jornalismo que lhe queremos entregar. Com o serviço público que é nossa obrigação fazer. É um compromisso que não se esgota aqui — porque este ano estaremos mais lá por fora, para ganhar mundo, para o explicar melhor. É a nossa maneira de dizer que damos um passo em frente, com orgulho de o fazer voltando atrás.

* N.D. Depois de escrever este Editorial, recebi uma série de protestos da concorrência. Aqui fica o registo: o Expresso tem uma jornalista em Bruxelas, que se divide com a SIC; o JN e DN partilham um outro com a TSF. Não desvalorizo. Mas, como todos sabem, não é a mesma coisa.

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