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Ferro alerta para a “auto-satisfação” e pede ao PS para não pensar em eleições

O presidente da Assembleia da República diz que este é o tempo “para a grande política” das mudanças estruturais e das “opções inadiáveis”, e não para “tacticismos eleitorais”.

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LUSA/PAULO NOVAIS

Numa altura em que alguns socialistas lembram os números das sondagens, Ferro Rodrigues foi a Coimbra, às jornadas parlamentares do PS, pedir ao partido contenção com os bons resultados e avisos aos socialistas para que não comecem a pensar em eleições num ano em que não as há.

“O maior risco agora é o da auto-satisfação. É certo que esse é um risco sempre menor no Partido Socialista, dada a tradicional insatisfação crítica dos seus dirigentes e militantes. Mas ainda assim é um risco”, disse o presidente da Assembleia da República.

Num discurso com grande carga política, Ferro lembrou que este é um “tempo novo que se espera marcado justamente por mudanças estruturais e por opções inadiáveis”, recorrendo à expressão “opções inadiáveis” que deu nome ao célebre grupo que no final dos anos 70 se opôs a Sá Carneiro e do qual faziam parte Magalhães Mota, Pinto Balsemão ou mesmo Marcelo Rebelo de Sousa de forma intermitente.

Nesta senda da ideia de que o tempo de agir é agora e não bastam os resultados obtidos, Ferro Rodrigues, neste evento não enquanto presidente da Assembleia da República, lembrou que “não basta um bom ciclo económico para garantir a solidez política de uma governação”. “É condição necessária, mas não é suficiente. Exemplos de partidos de governo que não se afirmam politicamente apesar dos bons resultados económicos são abundantes, especialmente e infelizmente na nossa família política europeia”, disse. Por isso, defendeu, “este é o tempo certo para a grande política, aquela que muda para melhor a vida das pessoas e que as reconcilia com a democracia”.

Mais do que isso, Ferro foi dizer aos socialistas que estes não podem começar a fazer contas a votos ou a pensar em medidas e políticas com o intuito de terem ganhos em eleições. “Também há um tempo próprio para pensarmos em eleições. Bem sei que está na moda a antecipação dos calendários, mas a verdade é que em 2018 não estão previstas eleições. Os portugueses não compreenderiam que por tacticismos pré-eleitorais este ano de 2018 não fosse aproveitado para fazer avançar mudanças estruturais adiadas há demasiado tempo”, frisou.

Para terminar, um dos homens que foi atacado várias vezes na sua carreira política insistiu na ideia de que não se pode dar força a casos. “A oposição reorganizou-se democraticamente. Os partidos que suportam o Governo estão estáveis e de boa saúde. Portugal não é uma democracia de casos. Mas há quem queira que seja”, disse.

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