Ideias do presente para o mundo sustentável de amanhã premiadas

Os Green Project Awards foram entregues, nesta sexta-feira, na Âlfandega do Porto, numa cerimónia que distinguiu Filipe Duarte Santos e Pedro Serra com o Prémio Especial Carreira pela Sustentabilidade.

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Joana Gonçalves
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Ambiente, sustentabilidade e futuro foram as palavras que mais se ouviram nesta sexta-feira na Alfândega do Porto, que acolheu a cerimónia de entrega de prémios dos Green Project Awards (GPA). Com o objectivo de premiar os projectos que contribuíssem para o desenvolvimento sustentável em Portugal, os galardões foram distribuídos por ideias, empresas, instituições e escolas, que concorreram em 11 categorias. No total, foram mais de 70 os finalistas seleccionados.

O projecto Casas em Movimento de Manuel Vieira Lopes foi premiado por duas vezes. Para além do prémio na categoria “Cidades e Mobilidades Sustentáveis”, o projecto foi também o vencedor do Prémio ANI/GPA — Born From Knowledge, um dos dois galardões entregues pela primeira vez nos Green Project Awards. O sistema desenvolvido por Manuel Vieira Lopes, patenteado em 77 países, permite “ao utilizador controlar a sua própria casa, e não o contrário”, para além de “produzir cinco vezes mais energia do que a que consome”, explicou o também arquitecto. É como se víssemos casas a rodar “como um girassol”, criando, ao mesmo tempo, o espaço adequado para se receberem amigos ou para grandes jantares de famílias. No entanto, não é só nas habitações (ou nos quiosques) que a sustentabilidade se inscreve.

O Neya Lisboa Hotel, vencedor na categoria de Turismo, tem apenas um conceito e um objectivo: ser sustentável. Ali, “todas as acções são realizadas nesse sentido”, contou Pedro Teixeira, que recebeu o galardão por parte do hotel, acrescentando que “o mercado que aflui ao hotel é muito específico e vem, sobretudo, do Norte da Europa”. E os portugueses, já pensam no ambiente quando escolhem um hotel? “Nem por isso”, responde. Talvez o número de clientes lusos em hotéis como o Neya — “porque não se quer apenas um hotel com este tipo de abordagem ambiental”, ressalva Pedro Texeira —, cresça com o passar dos anos, quando os “mais jovens” passarem a ser “os mais velhos”.

Enquanto isso não acontece, carregam os livros pelos corredores das escolas, onde cada vez mais se fala sobre a reciclagem, o ambiente, a sustentabilidade e a necessidade de se cuidar do mundo. E nas muitas filas de cadeiras dispostas naquela sala, encontravam-se alunos da Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas, do Porto, que dizem “existir cada vez mais preocupação relativamente ao ambiente”, o que os motivou para a execução do projecto “Biocompostor”, o vencedor do prémio para a categoria “Iniciativa Jovem”.

Tiago Toste, um dos jovens do grupo vencedor, apontou que “o acesso à informação disponível na internet” fomenta o interesse sobre questões ambientais, principalmente junto das gerações “mais jovens”. A mesma ideia partilha outro grupo finalista da mesma categoria. Os alunos do Colégio Amorim, da Póvoa de Varzim, passaram o ano lectivo numa correria: para além dos testes e dos trabalhos, arranjaram ainda tempo para, sob a bandeira do voluntariado, alertarem a população da sua região para práticas amigas do ambiente. Como se não bastasse, empenharam-se ainda em “ajudar os mais desfavorecidos”, angariando fundos para associações da zona.

Foi para a audiência mais jovem que muitas das palavras se direccionaram nesta cerimónia: “É preciso adoptar práticas sustentáveis para estes jovens, e para os filhos destes jovens”. As palavras são de Pedro Serra, um dos vencedores do Prémio Especial Carreira pela Sustentabilidade nos GPA deste ano. O especialista em recursos hídricos partilhou o palco com Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e especialista em alterações climáticas.     

Nesta edição, o projecto ECO-Zement, desenvolvido pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, levou o prémio “Jerónimo Martins/GPA — Investigação e Desenvolvimento Sustentável”. Noutros campos, como na inovação social, foi o Ineditapanoplia Club, com o projecto “Critical Change”, um laboratório de desenvolvimento de soluções acessíveis, eficientes e sustentáveis para combater a pobreza habitacional.

Quanto à agricultura, o projecto Kiplant iNmass, da ASFERTGLOBAL, levou a melhor sob os outros finalistas, enquanto que, no mar, o projecto da Sun Concept, Lda, “Solar Boat Builders”, foi o vencedor. A Prio, que transforma óleo alimentar em combustível, foi galardoada noque concerne a “Gestão Eficiente de Recursos” e a BITCLIQ, na categoria da indústria, venceu com o projecto BIG EYE — Smart Fishing.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, entregou vários dos prémios.

Texto editado por Ana Fernandes