Menino com cabelo congelado reacende debate sobre pobreza

Debate sobre a pobreza na China rural volta às redes sociais após fotografias virais com a hashtag #IceBoy.

Wang andou 4.5 quilómetros para chegar à escola num dia em que os termómetros indicavam -9ºC
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Wang andou 4.5 quilómetros para chegar à escola num dia em que os termómetros indicavam -9ºC Reuters/KIM KYUNG-HOON

Um aluno chinês de oito anos, apelidado de "Ice Boy" (rapaz de gelo, em português) por várias pessoas nas redes sociais, desencadeou uma nova discussão online sobre a pobreza infantil, indica a BBC. As duas fotografias do rapaz, que chegou à escola com as mãos inchadas do frio e com neve no cabelo e nas sobrancelhas, tornaram-se virais na segunda-feira.

Muitos dizem que as imagens do pequeno Wang mostram que não está a ser feito o suficiente para ajudar as crianças provenientes de meios mais carenciados e de famílias rurais na China. A agência estatal China News Service afirma que o menino andou 4,5 quilómetros para chegar à escola — percurso que lhe leva uma hora — em Ludian, na província de Yunnan. No dia em que as fotografias foram tiradas, a temperatura exterior era de -9ºC.

Numa das imagens é possível ver as mãos de Wang sujas e inchadas do frio. As mãos estão em cima do teste que realizou e no qual conseguiu um resultado de 99%. Noutra, vê-se o rapaz com as bochechas vermelhas e inchadas, vestido com um fino casaco e outras crianças a rirem-se.

O professor de Wang tirou as fotografias no dia 8 de Janeiro e enviou para o director da escola e outros colegas, tendo rapidamente chegado aos media locais e posteriormente aos nacionais, até se tornarem virais com a hashtag #IceBoy.

As publicações despertaram várias reacções. “Esta criança sabe que a educação pode mudar o seu destino”, lê-se num comentário. “O seu pequeno rosto gelado e as poucas roupas que veste, é lamentável”, lê-se noutro. Algumas pessoas escreveram comentários enraivecidos com Pequim: “O que está o governo de Yunnan a fazer?”.

Jornalistas do site Pear Video localizaram a casa de Wang e afirmam que o rapaz vive numa casa “feita de argila e tijolos”, e que é uma “criança deixada para trás” – uma das dezenas de milhões de crianças que raramente vêem os pais, que se mudaram para as cidades de forma a sustentá-las.

O pequeno Wang vive com a avó e a irmã. Raramente vê o pai, um trabalhador migrante que retorna a casa cada quatro ou cinco meses. Segundo o menino, a mãe abandonou-os quando era mais novo. A sua história tem gerado um protesto para que mais seja feito para ajudar estas “crianças deixadas para trás”. Algumas empresas locais têm feito doações no seguimento deste caso.

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