Câmara quer interior da muralha aberto ao público até ao final do ano

O concurso para a execução de um percurso pedonal junto ao adarve da muralha que ladeia o centro histórico vimaranense a oriente arrancou nesta quinta-feira,

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Manuel Roberto

A alvenaria e as ameias da maior porção que resta da muralha medieval do centro histórico classificado como Património Mundial da Humanidade desde 2001 são as protagonistas de qualquer percurso a subir ou a descer a Avenida Alberto Sampaio mas a Câmara pretende, que, até ao final de 2018, o lado interno dessa linha de granito esteja acessível ao público e se abra a novas perspectivas sobre a cidade, com a criação de um percurso pedonal junto ao adarve (caminho de ronda).

“Lançámos o procedimento concursal. Eu espero que ainda este ano, lá para Maio, Junho, possamos iniciar a obra e que, no final do ano, esta esteja concluída”, adiantou o presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, à margem da reunião do executivo municipal,

O arranque do concurso, iniciado esta quinta-feira, pressupõe que a obra seja executada por um valor que pode ascender aos 535 mil euros (mais o IVA) e num prazo de cinco meses. À espera de que o adarve seja “um elemento turístico com muita força”, o autarca referiu que os visitantes vão poder aceder ao lado interior da muralha quer por norte, onde estão estacionadas as viaturas de quem trabalha no tribunal e na Câmara Municipal, quer por sul, com uma entrada junto ao Museu Alberto Sampaio, após a remoção do vidro que lá está. O percurso pelo interior da muralha vai permitir a quem o visita ter perspectivas sobre as traseiras quer do Convento de Santa Clara, onde está sediada a Câmara, quer da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, monumento nacional.

O projecto anunciado em Setembro de 2016 recebeu o parecer favorável da Direcção-Geral do Património Cultural, tal como o projecto previsto para a Torre da Alfândega, que ostenta a frase “Aqui Nasceu Portugal”. Este último, anunciado na mesma altura mas que se encontra atrasado, inclui uma exposição sobre a muralha de Guimarães e as suas torres defensivas – houve seis - e a demolição do edifício construído no seio do muro da torre para se criar uma caixa de escadas em ferro que servisse de percurso interpretativo do património construído ao longo dos pisos.

A intervenção pressupõe ainda um elevador panorâmico para pessoas com mobilidade reduzida poderem ver o interior da torre e acederem ao terraço, de onde se vê o Toural, o Castelo ou o Centro Cultural Vila Flor e a reabilitação da Rua do Anjo, por onde se fará o acesso público, mas Domingos Bragança, apesar de querer iniciar o concurso no segundo trimestre deste ano, reconheceu que o projecto “está a ser revisto para ser melhorado”, tendo ainda a braços “o processo burocrático de inscrição de registo de propriedade na Câmara Municipal”.

A Torre da Alfândega, recorde-se, foi epicentro de uma polémica em Março de 2016, quando se tornou público que o edifício que lhe dava acesso foi vendido, em 2014, ao empresário Domingos Machado Mendes, sem que a Câmara tivesse exercido o direito de preferência.