Grécia

A cadeira de rodas mudou a vida deste refugiado, e o desporto também

Najib Alhaj Ali tinha 12 anos quando um bombardeamento em Homs, na Síria, provocou-lhe uma lesão na espinal medula. Após o ataque, o pai de Najib ainda o levou para uma clínica, mas a criança não conseguiu receber o devido tratamento. Najib ficou confinado a uma cadeira de rodas. Nesse mesmo ano, a família decidiu fugir do país. Atravessaram o mar Mediterrâneo num barco de borracha da Turquia até à Grécia, onde receberam asilo em 2016.

Desde Outubro do mesmo ano, Najib é um dos participantes do projecto Desenvolvimento da Educação Paralímpica em Populações de Refugiados, financiado pelo Programa de Apoio a Subvenções da Fundação Agitos e apoiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. O projecto partiu de uma ideia do Comité Paralímpico grego. "Pensámos que seria bom enviar uma proposta à Agitos Foundation para desenvolver um programa de desporto para refugiados com deficiência", disse Vassilis Kalyvas, director desportivo do Comité Paralímpico grego. “O lema da Fundação é ‘Developing Sport. Changing Lives’ (‘Desenvolver o desporto. Mudar vidas’) e pensámos que este seria o caso".

Um ano depois de começar a treinar, Najib, agora com 14 anos, já participou em duas competições nacionais na Grécia. Em Dezembro do ano passado, foi convidado pela International Wheelchair Federation (IWAS) e pela Agitos Foundation para participar nos Jogos Mundiais 2017 da IWAS, em Vila Real de Santo António, em Portugal. Foi não só a sua primeira competição internacional mas também a primeira vez que viajou de avião. "A sua atitude está a mudar. O desporto está a fazê-lo sair da sua bolha”, disse Faten Shahuod, mãe de Najib. "Ele estava sempre em casa mas agora está a mexer-se e a praticar desporto. No curto espaço de tempo que estivemos em Portugal, ele tornou-se mais independente e tem falado mais”.

Najib participou em duas competições - prova masculina sub-18 em cadeira de rodas 100 metros e 200 metros. Em ambas, ficou qualificado em último lugar. “A competição foi boa. Ele precisa de evoluir mas isso vai acontecer gradualmente”, afirmou a treinadora de Najib, Christina Marouda. “Ele precisa de mais tempo”.

De acordo com José Cabo, responsável da Agitos, nos últimos dois anos, a fundação promoveu várias oportunidades para o grupo de refugiados mais vulnerável, com deficiência, de forma a inclui-los na sociedade e a proporcionar-lhes uma vida melhor. “Esses esforços continuarão em 2018 com um projecto para criar uma rede de instituições que permitirá o acesso ao desporto para os refugiados na Europa", disse José Cabo.

"Os Jogos Mundiais da IWAS foram uma estreia internacional apropriada para Najib e nós apoiámos com prazer a sua participação", disse o CEO da IWAS, Charmaine Hooper. "Estamos ansiosos para seguir o percurso de Najib e espero recebê-lo de volta nos próximos jogos Mundiais da IWAS".

Vídeo realizado pela Agitos Foundation em colaboração com a IWAS. Edição PÚBLICO.