Das Filipinas à China são 1700 anos de viagem

Aventureiros filipinos vão atravessar o mar da China Meridional em barcos construídos com técnicas do século I.

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DR/Balangay Voyage
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Entre os principais elementos da equipa, há quem tenha conquistado o topo do monte Evereste e integrado a expedição que, durante 17 meses, percorreu os mares do Sudoeste Asiático em embarcações semelhantes, dando origem ao documentário Viagem dos Balangay (2014). Mas a travessia até Quanzhou, na China, não augura menor aventura.

“O meu maior medo é navegar à noite, porque pode-se ser atropelado por grandes navios”, revela o líder da missão filipina, Arturo Valdez, ao Guardian. A bordo, não existirão sistemas de navegação e de comunicação modernos, motores, radares, sistemas de iluminação nocturna, electricidade ou mesmo casas de banho. “Não podemos sequer ser detectados pelos radares deles porque somos feitos de madeira.”

A travessia será feita a bordo de três réplicas dos antigos balangay, embarcações originárias das tribos do Sul das Filipinas, que remontam, pelo menos, ao ano 320. Construídos a partir de técnicas ancestrais, passadas de geração em geração, os barcos feitos com tábuas de madeira maciça medem cerca de 18 metros de comprimento por três de largura e têm duas velas coloridas, dois lemes e uma pequena área coberta.

“A maior dificuldade em replicar uma viagem ancestral [como esta] é a modernidade, porque [hoje em dia] há novos protocolos portuários”, lamenta Valdez à agência de notícias AFP. As leis portuárias chinesas impedem uma travessia sem quaisquer aparelhos modernos, pelo que um dos veleiros estará equipado com motor, luzes e rádio. “Este tipo de barcos está a ser tratado como um perigo marítimo”, defende o responsável da Balangay Voyage. Por isso, acredita que “esta viagem será a última do género”.

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O objectivo do périplo, que deverá zarpar do porto de Manila em Março deste ano, é recriar as rotas históricas de comércio e migração entre os dois países e comemorar a jornada lançada em 1417 pelo sultão filipino Paduka Batara para homenagear os governantes da dinastia Ming. Apesar de ter chegado à China, o sultão adoeceu e acabou por morrer. No entanto, a mulher e os filhos receberam cidadania chinesa e permaneceram no país, onde actualmente ainda vivem muitos descendentes.

Pelo caminho, a equipa de aventureiros espera ainda que a viagem histórica contribua para alavancar o orgulho nacional. “Tal como [a conquista do] monte Evereste, quero que isto seja um símbolo daquilo que o nosso povo pode alcançar, do que é possível fazer a partir do suposto impossível”, aspira Valdez, em declarações à AFP. “Estou entusiasmada porque a nossa equipa vai ficar mais inspirada ao aperceber-se do quão bons os nossos antepassados eram”, reitera Carina Dayondon, uma das primeiras mulheres filipinas a escalar o monte Evereste e que também integra a comitiva.

As embarcações partem da capital filipina no início desta Primavera e deverão navegar ao longo de mil quilómetros até Quanzhou, com paragens nos portos de La Union, Hong Kong e Shantou. Depois da viagem de regresso, os veleiros deverão descer ao arquipélago de Sulu, onde foram construídos em Abril do ano passado, para ficarem em exposição num museu, “como testemunho das nossas relações marítimas, culturais e históricas com o Reino do Meio [China]”, escreve a organização no Facebook.

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