Vaticano já tem os três nomes propostos para bispo do Porto

Bispos de Coimbra e das Forças Armadas são duas das hipóteses. A terceira é o actual bispo auxiliar do Porto, António Augusto Azevedo.

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O vazio deixado pela morte de D. António Francisco dos Santos, vitimado por um enfarte fulminante em Setembro passado, está prestes a ser preenchido. O embaixador da Santa Sé em Portugal, Rino Passigato, já enviou para o Vaticano a lista de três nomes a partir dos quais o Papa Francisco deverá escolher quem ocupará a cadeira de bispo do Porto.

O actual bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, e das Forças Armadas, Manuel Linda, são dois dos nomes propostos pelo núncio. Ao que o PÚBLICO apurou, António Augusto de Azevedo, nomeado há dois anos bispo auxiliar do Porto, é o terceiro nome da lista. Os perfis e as competências dos candidatos ao cargo serão agora escrutinados pela Congregação para os Bispos da Santa Sé, a quem compete emitir um parecer que será depois avaliado pelo Papa Francisco, detentor da última palavra na escolha do futuro líder da maior diocese portuguesa.

Com mais de dois milhões de habitantes, espalhados por 477 paróquias de 26 concelhos, a diocese do Porto foi liderada por D. António Francisco dos Santos até ao dia 11 de Setembro passado, altura em que morreu, aos 69 anos, vítima de um enfarte agudo do miocárdio. Até então bispo de Aveiro, António Francisco dos Santos, estava no Porto desde Fevereiro de 2014, data em que sucedeu a Manuel Clemente, entretanto escolhido para o patriarcado de Lisboa.

Críticas à demora da decisão

Então, o interregno fora de nove meses. Uma lentidão que motivou várias críticas, sendo que, em Setembro de 2015, o próprio Papa insistiu na necessidade de tratar estes processos com mais celeridade. Tudo em nome de uma maior “proximidade e prontidão” na resposta do Vaticano às igrejas locais.

Desta vez, o intervalo será mais curto. Ao que o PÚBLICO apurou, o propósito é ter um nome escolhido já em meados deste mês. O bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, nasceu em 1961, na Batalha, e cumpre a tradição de o Porto receber alguém que já é bispo noutra diocese há algum tempo. O seu nome, porém, já foi também dado como provável para a diocese de Évora, cujo actual representante, pediu a resignação ao Papa por ter atingido o limite de idade.

O capelão-chefe e bispo das Forças Armadas e de Segurança, Manuel Rodrigues Linda, será outra das hipóteses a considerar. No cargo desde 2014, o sucessor de Januário Torgal Ferreira tem amiúde tomado posições públicas contra “a indignidade da pobreza”. No pico da crise, chegou a apelar a uma “renúncia aos direitos burgueses em favor dos pobres”, dando como exemplo a necessidade de renunciar a automóveis “topo de gama” para permitir a aquisição de medicamentos que um qualquer vizinho não pudesse comprar. Mais tarde, em 2015, acusou a “sobranceria” dos deputados quando o Parlamento recusou discutir uma petição popular que procurava restringir as possibilidades de recurso ao aborto.

A indicação do nome do actual bispo auxiliar do Porto, António Augusto Azevedo, quebra uma tradição de muitos anos mas poder-se-á enquadrar na existência de alguma dificuldade em encontrar outros nomes numa altura em que são várias as dioceses à espera de um novo bispo (Évora, Funchal e Viseu, por exemplo). Com 55 anos, António Augusto de Oliveira Azevedo nasceu na Maia, tendo sido ordenado padre em 1986. Doutorado em Filosofia, foi assistente diocesano do Centro de Preparação para o Matrimónio desde 2005 e juiz do Tribunal Eclesiástico do Porto desde 2004. Antes, trabalhara nas paróquias de Santo Tirso e Vilar do Paraíso, em Gaia, e foi capelão militar na Força Aérea.