Comic Con Portugal 2017: sabres de luz, tanques e mulheres no poder

De quinta a domingo, a quarta edição da Comic Con Portugal decorreu na Exponor, em Matosinhos, e trouxe ao nosso país nomes como Katherine McNamara, Madison Iseman, Dominic Purcell ou Edward James Olmos, além de todo o tipo de entretenimento que tenha que ver com cultura pop.

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Paulo Pimenta
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Uma rapariga segura um sabre de luz de Star Wars e lê do telemóvel, ao microfone, uma pergunta preparada em casa, elaborada e conhecedora, sobre Shadowhunters. É sábado à tarde no Auditório A da Comic Con e a questão destina-se a Katherine McNamara, que está a representar tanto a série de fantasia disponível no Netflix quando a saga de filmes Maze Runner e ainda tem tempo para falar em The O.A., um projecto antigo – no contexto de Hollywood actual, é comum os convidados virem promover dois, três ou quatro projectos diferentes com pouco que os una a não ser os intervenientes. Com o conhecimento minucioso das complexidades da série contrasta um grupo de miúdos que perguntam uns aos outros quem será a actriz a falar no palco. Afinal, há de tudo na Comic Con, do mais nerd ao menos dado a esse lado.

A rapariga do sabre de luz não é a única pessoa a exteriorizar uma das suas sagas favoritas. Pouco antes, no mesmo espaço, uma jovem Eleven perguntava a Madison Iseman, ali para promover Jumanji: Bem-vindos à Selva, qual era a sua personagem favorita de Stranger Things (uma delas era Eleven). Entre sexta e sábado, havia grupos e indivíduos vestidos de Turma da Mônica, com casacos a indicar quem eram, Wally, de Onde Está o Wally?, muitas referências a Star Wars, seja em robes, capacetes, cabelos de Princesa Leia ou simples t-shirts, fatos de tripulação da Enterprise de Star Trek, bastões de The Walking Dead, cabeças de BoJack Horseman, o palhaço Pennywise, de It, com balão e tudo, Alice e o Chapeleiro Louco de Alice no País das Maravilhas, entre muitos outros, de Lara Croft de Tomb Raider a Maléfica, passando por Batgirl ou servas de The Handmaid’s Tale, cujo primeiro episódio foi apresentado em antestreia na convenção.

Todas tinham casa na quarta edição da Comic Con Portugal, que decorreu de quinta-feira a domingo na Exponor, em Matosinhos, entre painéis, bancas de venda de bonecos, banda desenhada – seja de autores pequenos a nomes consagrados das grandes editoras –, cortiça, t-shirts e todo o tipo de objectos. Além delas, também demonstrações de produtos, espaços de gaming, seja virtual ou de jogos de tabuleiro, tatuagens, um Predador, um Batmobile, várias outras actividades, entre elas contando-se até um tanque para promover o recrutamento no exército.

Não é só a banda desenhada que deu nome ao evento que começou em 1970 em San Diego que é rainha aqui. Há fantasia, ficção científica, terror, anime, animação, e tudo o que seja cultura pop e gere obsessões. É um sítio onde, em painéis, um actor ou actriz simplesmente mencionar séries como Orange is the New Black ou A Guerra dos Tronos leva a aplausos e entusiasmo generalizado por parte do público.

Mulheres ao poder

Há espaço para tudo, mesmo que o ambiente de feira e o barulho doutras actividades possa afectar os acontecimentos mais pequenos, como duas jovens realizadoras, Bruna Pias e Beatriz Castro, que, na sexta-feira, apresentavam no meio do recinto, uma curta feita pelas duas, Querido Lawrence, que só podia ser acompanhada através das legendas.

Sempre que os painéis no auditório A não geravam uma enchente de público que esperava dezenas de minutos numa fila para conseguir um bom lugar, ouvia-se barulho vindo de fora, o que por vezes dificultava ouvir o que as pessoas tinham para dizer.

Na conversa de Madison Iseman no sábado, uma das protagonistas da sequela de Jumanji, esta mencionava que era “uma altura excitante para ser uma actriz nesta indústria”, como havia agora várias personagens femininas fortes na televisão e no cinema, dando o exemplo de Big Little Lies – cuja menção, tal como Breaking Bad, não gera aplausos generalizados como os que costumam gerar outros filmes e séries – e “era fixe finalmente ver uma rapariga a ser heroína”.

Horas depois, numa conversa bem mais masculina, Dominic Purcell, ali para falar da recém-regressada série Prison Break, mas também dos seus papéis em Flash e Legends of Tomorrow, ambas séries que passam na RTP1, o actor australiano mencionava ter crescido com nomes como Mel Gibson ou Clint Eastwood como ídolos. Mesmo no meio da conversa, falou de como era bom que uma das personagens, Sara Lance, ter-se tornado na segunda temporada de Legends of Tomorrow, capitã da nave de viagens do tempo a bordo da qual a série se passa. “Já era altura de ter uma mulher num lugar de poder na televisão”, disse.

Recusou-se a confirmar de certeza uma possível sexta temporada de Prison Break, explicando só que era um “trabalho em curso” a ser preparado pelo criador Paul Scheuring. Isto apesar de ter admitido que a série só continuou por dinheiro quando um fã sugeriu que devia ter acabado na segunda temporada. “Eu concordo contigo, mas a minha conta bancária não.”

De fora ficaram tópicos sobre a recente vaga de acusações de assédio e abuso sexual em Hollywood – se bem que estivessem mesmo ali ao lado: houve tempo para elogiar a representação de Robert Knepper, de Prison Break, actor acusado de várias instâncias de abuso e assédio sexual ao longo de quase 35 anos, e o fantasma de Andrew Kreisman, que se retirou da posição como produtor executivo de Flash e Legends of Tomorrow por acusações de assédio sexual, esteve sempre a pairar no ar. Esse foi o tema do painel posterior, sobre Todo o Dinheiro do Mundo, o novo filme de Ridley Scott do qual Kevin Spacey foi despedido e substituído, já depois da rodagem principal, por Christopher Plummer. Sem ninguém que o tivesse visto em palco, mostraram-se trailers e vídeos e discutiu-se essas questões, que começou com o realizador e argumentista Vicente Alves do Ó a mencionar a hipocrisia americana nestas questões, preocupado com uma “caça de bruxas” e a comparar apagar Kevin Spacey de um filme com fazerem-se filmes sobre Hitler. Logo a seguir, a actriz Benedita Pereira, por sua vez, notava que ao longo dos tempos as posições de poder em Hollywood, os agentes e executivos, eram quase todos homens, numa cultura em que assédios e abusos eram aceites e havia pessoas coniventes com eles. Finalmente, há mulheres sem medo de falar e perder empregos, dizia.