Lipor já não vai construir novo aterro sanitário

Investimento de cem milhões de euros passou a ser considerado desnecessário face ao destino dado ao lixo na região.

A empresa coloca em aterro 1% dos lixos que recolhe
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A empresa coloca em aterro 1% dos lixos que recolhe Mário Augusto Carneiro

A Lipor, empresa intermunicipal de gestão de resíduos do Grande Porto, abandonou o projecto da construção de um aterro sanitário, orçado em 100 milhões de euros, que iria ser edificado em Laúndos, na Póvoa de Varzim.

A informação foi dada esta sexta-feira por Aires Pereira, presidente da empresa responsável pela gestão, valorização e tratamento dos resíduos urbanos produzidos pelos municípios de Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde, apontando que a construção da estrutura, projetada há mais de uma década, "já não se justifica".

"Actualmente a Lipor só deposita em aterro 1% dos seus resíduos, que é praticamente aquilo que resulta dos rejeitados na central de valorização energética, e para depositar esse 1% recorre a um aterro de outra empresa, não tendo necessidade de fazer um investimento tão avultado", disse o presidente da Lipor.

Ainda assim, para o local, a Lipor pretende instalar um novo ecocentro (um equipamento para compactar os resíduos) e uma estação de transferência, de forma evitar que os camiões de recolha de lixo que operam, por exemplo, na Póvoa de Varzim tenham de se deslocar para as centrais da empresa em Ermesinde e Maia. "A construção desses equipamentos deve avançar Já em janeiro. Será uma obra muito importante em termos logísticos, tratando-se de um investimento de 1,7 milhões de euros", detalhou Aires Pereira.

Quanto aos terrenos que estavam destinados para receber o aterro sanitário que já não será construído, e que contemplavam uma área de mais de 30 hectares [o equivalente a 30 campos de futebol], está ser estudada a possibilidade de serem destinados para um novo parque industrial do concelho poveiro.

"Com o abandono desse projecto, estou a propor que façamos naquele local um grande loteamento industrial e, dessa forma, possamos ter uma oferta enorme para fixação de empresas, com terrenos a preços de compra muito equilibrados", disse Aires Pereira, que é, também, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

O autarca diz que os contornos da operação "ainda estão a ser estudados", mas que uma das possibilidades será as empresas que se queiram fixar no local comprarem as parcelas dos terrenos directamente à Lipor, lembrando que ficarão uma localização privilegiada. "As infraestruturas de acesso já estão preparadas e terão uma ligação à autoestrada A28, que fica muito perto. Acredito que esta poderá ser uma hipótese muito importante para uma oferta de terrenos para a fixação de novas indústrias", analisou.