Direcção-Geral da Saúde faz manual para famílias carenciadas comerem melhor

Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, que substituirá cantinas sociais de forma progressiva, arrancou em Novembro. Novos cabazes têm alimentos congelados e refrigerados.

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Os cabazes deixaram de incluir apenas alimentos não perecíveis. Tornaram-se menos fáceis de acomodar, mas mais saudáveis Enric Vives-Rubio

Já começaram a chegar às famílias os novos cabazes alimentares do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas. A Direcção-Geral de Saúde lança esta terça-feira um manual para orientar quem vai beneficiar daquela medida financiada pelo Fundo Europeu de Auxilio às Pessoas mais Carenciadas.

não é uma oferta de 1,4 quilos, que se podia traduzir num pacote de arroz e meio pacote de massa. Para além de arroz, massa, feijão, grão-de-bico, cereais de pequeno-almoço, atum em lata, sardinhas em lata, leite ultrapasteurizado, tomate pelado, azeite e marmelada, os novos cestos têm congelados (frango, pescada, mistura de vegetais, espinafres e brócolos) e refrigerados (queijo e margarina).

O novo modelo, que começou em Novembro a substituir de forma progressiva as cantinas sociais, apresenta alguns desafios, diz o director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça. A existência de produtos frescos requer cuidados que nem todos estarão aptos a ter.

Assume-se que os beneficiários podem ter frigoríficos de pequena dimensão. Por isso mesmo, as instituições mediadoras deverão entregar-lhes os alimentos secos e não perecíveis uma vez por mês e os refrigerados e congelados uma vez por semana.

O programa não se esgota na entrega de um cabaz que pode ter até 24 quilos por mês, conforme a idade. Assenta numa rede formada por 600 instituições, que devem acompanhar os destinatários, desde logo, ajudando-os a fazer uma melhor gestão da vida doméstica. O manual servir-lhes-á de base. A primeira acção de formação arranca esta terça-feira no Algarve.

Dicas para evitar desperdício

O documento, da autoria de Pedro Graça e Maria João Gregório, inclui regras sobre armazenamento e conservação de alimentos, mas também dicas para evitar desperdício, sugestões para combinar os alimentos presentes no cabaz e para adquirir os que estão em falta a um preço mais acessível.

Os peritos aconselham os beneficiários a verificarem se podem libertar algum espaço no frigorífico, livrando-o de gelo ou usando o que lá têm, antes de irem buscar os géneros que lhe são entregues em cada semana. Podem, depois, colocar no congelador o que não vão usar logo e na refrigeração o que vão usar primeiro.

Os alimentos não devem ser descongelados à temperatura ambiente, mas (devagar) no frigorífico ou (depressa) no microondas (salvo as hortícolas, que devem ser atiradas para a panela sem passar pelo processo de descongelação). Os que já tenham sido descongelados não devem ser recongelados. Têm de ser cozinhados e aí, sim, podem voltar a ser congelados. Não de imediato, para não estragar as placas de refrigeração. Depois de arrefecerem. "Parece básico, mas há pessoas que não sabem isto", enfatiza o nutricionista. 

Anterior cabaz estava longe de ser adequado

O novo cabaz alimentar, que tem 18 alimentos, cobre metade das necessidades nutricionais diárias. O anterior, só com secos e não perecíveis, era mais fácil de transportar e conservar, mas estava longe de ser adequado, recorda aquele especialista.  

Há uma associação entre insegurança alimentar, baixa escolaridade, menor rendimento e algumas doenças crónicas, como diabetes, hipertensão ou obesidade, sublinha. As pessoas com um acesso limitado ou incerto a alimentos também correm maior risco de desenvolver doenças agudas, como anemia. E também é isso que se quer evitar. 

Na opinião de Pedro Graça, apesar de ser lançado com uma espécie de “estigma”, o manual “pode ser útil para qualquer pessoa interessada em ter uma alimentação saudável a preço acessível”. Explica, por exemplo, que o pão tende a ter menos gordura e açúcar do que os cereais de pequeno-almoço, que convém comer três peças de fruta por dia, que os ovos têm proteína de elevado valor biológico e, por isso, são uma alternativa perfeita à carne e ao peixe, que a sopa de legumes deve ser entrada em refeições principais.