Biblioteca Nacional altera condições de acesso à rede wireless após utilização imprópria

Downloads de filmes, jogos e música sobrecarregaram a rede de Internet da BNP, que se vê forçada a aplicar novas regras.

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A Biblioteca Nacional, em Lisboa, é utilizada sobretudo por estudantes e investigadores, apesar de ter espaços de acesso geral ao público Joao Silva

Até há uns dias, o acesso à Internet através da rede wireless da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, era feito sem qualquer restrição. No entanto, novas medidas foram implementadas devido aos constrangimentos criados pelo uso indevido da rede, confirmou ao PÚBLICO a directora-geral da BNP, Maria Inês Cordeiro. O uso de mais de um dispositivo por pessoa e a utilização da rede para downloads de vídeos, jogos e música, que acabam por esgotar a largura de banda, são as causas indicadas para a alteração das condições do serviço. 

A novidade motivou algumas queixas nas redes sociais. Numa publicação no Facebook, um utilizador da Biblioteca Nacional criticou a aplicação das novas medidas, argumentando que aquele é para si "um espaço fundamental de trabalho" e que a qualidade do acesso à Internet se degradou. O utilizador, um jornalista freelancer, exemplifica que, tentando aceder naquele local à rede social Facebook (que qualifica como "ferramenta de trabalho"), nem se "consegue ver uma imagem".

No entanto, Maria Inês Cordeiro diz que “até agora não houve queixas de nenhum utilizador” e que a situação descrita pelo jornalista freelancer “não deve estar relacionada” com as novas medidas. 

Segundo a directora-geral da Biblioteca Nacional, a mudança “já devia ter sido feito há mais tempo”. Em concreto, passa a ser proibido o acesso e download de músicas, jogos, filmes e software, o recurso a serviços de stream (como o iTunes e o Youtube) e ainda a utilização de programas de download P2P, tal como o uTorrent, lê-se no aviso.

A aplicação destas medidas pretende "melhorar as condições de utilização da rede" por parte de todos os utilizadores, defendem os serviços da Biblioteca Nacional. Maria Inês Cordeiro sublinha que os recursos da rede “devem ser direccionados para as principais actividades da Biblioteca”, nomeadamente pesquisas e investigações por parte dos leitores e investigadores, e também do público em geral. 

A Biblioteca Nacional mantém um espaço de acesso aberto e gratuito a qualquer cidadão, nacional ou estrangeiro, maior de 18 anos. Outros serviços, como a consulta das coleções disponibilizadas nas salas de leitura, estão reservados aos detentores de cartão de leitor, cujo pedido tem um custo inicial de 12 euros. 

Texto editado por Pedro Guerreiro