É uma equipa de Mourinho, com certeza

Desempenho defensivo do Manchester United, que hoje defronta o Benfica, melhorou a olhos vistos face à época passada

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Reuters/CARL RECINE

O Verão passado foi invulgarmente tranquilo para o Manchester United, que não sentiu necessidade de reforçar-se com mais do que três jogadores: Lukaku chegou para o ataque, Matic reforçou o meio-campo e Lindelöf alargou o leque de opções na defesa. Deste trio, só o sueco ex-Benfica não tem feito regularmente parte das escolhas de José Mourinho nos jogos da Liga inglesa, mas até é provável que jogue logo à noite na Luz, porque alinhou nos dois encontros anteriores na Liga dos Campeões.

Há uma razão para Lindelöf não ter conseguido impor-se no Manchester United: ao nível da fiabilidade defensiva, característica indissociável de qualquer equipa treinada por José Mourinho, os “red devils” têm sido exemplares. Com apenas dois golos sofridos em oito jornadas, são a defesa menos batida da Premier League. E, na Liga dos Campeões, concederam um em dois jogos. A solidez do sector tem sido garantida por jogadores que, na sua esmagadora maioria, já estavam no clube quando o técnico português chegou.

David de Gea continua a mostrar porque muitos o consideram um dos melhores guarda-redes do mundo – no fim-de-semana, em Anfield, evitou um golo do Liverpool com uma defesa espantosa. À sua frente teve um quarteto composto por Valencia, Jones, Smalling e Darmian, que juntos somam 27 temporadas ao serviço dos “red devils”: o primeiro vai na nona, o último na terceira. Não mudaram os protagonistas, mas o desempenho é incomparavelmente melhor. No ano passado, também com oito jogos no campeonato e dois na Liga Europa, o Manchester United tinha sofrido nove golos.

O trabalho defensivo de Matic, indiscutível para Mourinho desde que chegou a Old Trafford, explica parte da melhoria. O resto cabe ao pragmatismo táctico do técnico português: “Uma coisa é um jogo cativante para os adeptos, outra é um jogo cativante para quem lê o futebol de forma diferente. A segunda parte foi como um jogo de xadrez mas o meu adversário não me abriu a porta para ganhar. Viemos para conquistar os três pontos mas na segunda parte sentimos dificuldades devido à dinâmica que o jogo apresentava”, resumiu após o 0-0 no terreno do Liverpool.

Sem baixas relevantes no sector defensivo (o argentino ex-Sporting Rojo, a recuperar de lesão grave, até integrou a convocatória, pela primeira vez em seis meses) Mourinho não pode esta noite, na Luz, contar com elementos importantes como Ibrahimovic, Fellani, Carrick e Pogba, todos com problemas físicos.

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O ataque será confiado ao reforço Romelu Lukaku, que leva sete golos marcados na Premier League e três na Champions, mas continua a debater-se com a fama de ser “brando” frente aos adversários mais fortes. Segundo o diário britânico The Guardian, nas quatro épocas que passou no Everton, o belga só fez golos em 11 dos 49 jogos disputados frente às seis equipas mais fortes do campeonato inglês. “Por vezes é difícil defrontar as equipas de topo se não jogas para ganhar e não crias oportunidades. É muito difícil. Agora estou num clube que quer ganhar às maiores equipas, que quer ganhar todos os jogos, e acredito que a situação vai mudar”, justificou-se.

Após um jogo pouco conseguido – frente ao Liverpool, Lukaku esteve demasiado isolado do resto da equipa e tocou menos vezes na bola do que o guarda-redes adversário (22 contra 27) – o internacional belga quer reencontrar-se com os golos e centra as atenções na Luz: “Tento sempre manter-me humilde, olhar para o que posso melhorar. Quero estar pronto para quarta-feira [hoje]”, dizia após o jogo em Anfield. Fraco com os fortes e forte com os fracos. E o Benfica, em que categoria estará aos olhos de Lukaku?

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